A disputa pelo quarto lugar no ranking de vendas de automóveis no Brasil ganhou um novo capítulo em agosto. A BYD, montadora chinesa que vem crescendo em ritmo acelerado, vendeu 24.467 unidades no mês, enquanto a General Motors (GM), dona da Chevrolet, comercializou 27.515 veículos. A diferença entre as duas marcas foi de apenas 3.048 carros, o menor patamar já registrado entre elas.
O resultado pode acender um alerta na GM, que historicamente ocupa posições de destaque no mercado brasileiro. A fabricante norte-americana já trabalha em um plano para não perder a quarta colocação, ameaçada pela ascensão da concorrente asiática. A BYD assumiu a quarta posição no ranking de vendas em julho de 2026, ultrapassando a Hyundai, e busca consolidar esse posto.
BYD amplia vantagem sobre a Hyundai
Em agosto, a BYD vendeu 7.450 carros a mais que a Hyundai, reforçando sua posição à frente da montadora sul-coreana. O crescimento da marca chinesa tem sido impulsionado por uma linha de veículos eletrificados com preços competitivos e boa aceitação do público. A estratégia da empresa inclui a expansão da produção local e o lançamento de novos modelos.
A GM mantém operação consolidada no país, com fábricas em São Paulo e Santa Catarina, mas enfrenta o desafio de renovar o portfólio para competir com os híbridos e elétricos da BYD. A disputa está acirrada e pode se intensificar nos próximos meses.
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Atto 2 chega em outubro com preço competitivo
Para manter o ritmo de crescimento, a BYD prepara o lançamento do Atto 2, um SUV híbrido plug-in que chega às lojas em outubro. O modelo terá duas configurações: a GL, com preço de R$ 149.990, e a GS, topo de linha, por R$ 169.990. Os valores posicionam o veículo em uma faixa atrativa para quem busca eletrificação sem abrir mão de espaço e tecnologia.
O Atto 2 combina um motor 1.5 aspirado de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção direta de 97 cv a uma unidade elétrica. O torque máximo combinado é de 30,6 kgfm nas duas configurações. Na GL, são 177 cv combinados, contra 197 cv totais da GS. A diferença de potência reflete a capacidade das baterias e o desempenho em modo elétrico.
Autonomia varia conforme a versão do SUV
Na configuração GL, a bateria tem 7,8 kWh de capacidade e autonomia de 33 km em modo elétrico, segundo o Inmetro. Já na GS, a bateria é de 18 kWh e o alcance chega a 75 km sem ajuda do motor a combustão. Esses números permitem que o Atto 2 rode boa parte do dia em modo elétrico, reduzindo o consumo de gasolina.
A BYD aposta no Atto 2 para atrair consumidores que ainda têm receio de migrar para um 100% elétrico, mas desejam economia e menor emissão de poluentes. O modelo também deve pressionar concorrentes como o Jeep Compass 4xe e o Toyota Corolla Cross Hybrid, que atuam em faixas de preço semelhantes.
Mako será produzida em Camaçari
Além do Atto 2, a BYD planeja lançar a Mako entre o final de 2026 e o começo de 2027. O novo modelo terá versões posicionadas entre R$ 180 mil e R$ 210 mil, mirando um segmento superior. A Mako será produzida utilizando a plataforma do Song Pro, um SUV médio já vendido no Brasil.
A produção da Mako será nacional completa, na fábrica de Camaçari (BA). É a primeira vez que a BYD vai produzir um veículo exclusivamente fora da China, um marco para a empresa e para a indústria automotiva brasileira. A unidade baiana, adquirida da Ford, passou por modernização e deve gerar cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos.
GM prepara reação no mercado brasileiro
Diante do avanço da BYD, a GM estuda medidas para proteger sua participação de mercado. A empresa não detalhou publicamente quais serão as ações, mas fontes do setor indicam que a montadora pode acelerar o lançamento de novos produtos e ampliar a oferta de versões híbridas. A Chevrolet também deve reforçar sua comunicação com o consumidor, destacando a tradição e a rede de concessionárias.
A disputa entre GM e BYD reflete uma transformação mais ampla na indústria automotiva, com a eletrificação ganhando espaço e novas marcas desafiando as líderes históricas. O desempenho de agosto mostra que a diferença entre as duas empresas é pequena e pode ser revertida a qualquer momento, dependendo das estratégias adotadas.
Os próximos meses serão decisivos para definir se a BYD conseguirá ultrapassar a GM de forma consistente ou se a Chevrolet conseguirá manter sua posição. Com lançamentos programados e produção local em expansão, a montadora chinesa segue como uma ameaça real, enquanto a GM busca reagir para não perder terreno no mercado brasileiro.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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