Uma nova cartilha sobre mobilidade e envelhecimento traz à tona um desafio crescente nas cidades brasileiras: como conciliar a autonomia da pessoa idosa com a segurança no trânsito. O material, que utiliza ilustrações e linguagem simples para permitir maior compreensão, tem como um de seus objetivos tornar informações acessíveis para toda a população. Em um país onde não existe uma idade máxima para conduzir veículos, a discussão sobre critérios justos e seguros ganha relevância.
Autonomia com responsabilidade
Preservar a autonomia da pessoa idosa significa garantir qualidade de vida, com respeito às suas capacidades e necessidades individuais. No trânsito, isso se traduz em permitir que ela continue exercendo seu direito de ir e vir com responsabilidade. Celso Mariano, especialista citado na cartilha, afirma que nunca se deve usar a idade isoladamente como critério. “Há pessoas de 80 anos plenamente aptas para dirigir e pessoas mais jovens que não apresentam condições seguras”, destaca. A avaliação deve ser individualizada, levando em conta habilidades cognitivas e físicas.
Mudanças estruturais necessárias
O envelhecimento da população exige mudanças que vão além do comportamento individual. A cartilha aponta que calçadas acessíveis, faixas de pedestres bem sinalizadas, tempos semafóricos adequados, iluminação eficiente e respeito dos demais condutores fazem parte de uma mobilidade mais segura. Garantir os direitos da pessoa idosa é responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e poder público. Sem infraestrutura adequada, mesmo os condutores mais experientes enfrentam riscos desnecessários.
Saúde em foco: corpo e mente
Para dirigir com segurança, funções como atenção, tempo de reação, tomada de decisões e percepção do ambiente são essenciais. A cartilha recomenda manter o cérebro ativo por meio de leitura, jogos de raciocínio, atividades culturais e convivência social. Além disso, são incentivadas atividades físicas regulares como caminhadas, dança, hidroginástica, pilates e yoga, respeitando limitações individuais. A orientação inclui estimular a socialização, manter rotina adequada de sono e buscar apoio profissional diante de sinais como tristeza prolongada, confusão mental ou esquecimentos frequentes.
Orientações práticas para motoristas
Especialistas recomendam fazer exames periódicos de visão, audição e avaliação médica. Outra dica importante: informe ao médico todos os medicamentos de uso contínuo e verifique se algum pode afetar a direção. Para reduzir riscos, prefira dirigir durante o dia e em trajetos conhecidos. Evite conduzir veículos quando estiver cansado ou indisposto. Utilize calçados confortáveis e adequados para dirigir. Pequenos cuidados fazem diferença na prevenção de acidentes.
Segurança para pedestres idosos
A cartilha também orienta os pedestres: atravesse a via somente em locais seguros e sinalizados. A combinação de infraestrutura urbana adequada e comportamento preventivo é fundamental para proteger os idosos, que muitas vezes têm mobilidade reduzida e maior vulnerabilidade no trânsito. A mensagem central é que autonomia e segurança não são excludentes, mas devem caminhar juntas, com informação, planejamento e responsabilidade compartilhada.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- toa55 para Depositphotos (depositphotos.com)
- “Tecendo o Cuidar” (www.tjrj.jus.br)

