O Brasil, que foi pioneiro na implantação do BRT (Bus Rapid Transit), avançou em ritmo lento na expansão desse sistema nas últimas cinco décadas. É o que aponta o estudo “BRT Brasil: sistemas em operação nas cidades brasileiras”, contratado e organizado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). O levantamento, elaborado pela Oficina Consultores, revela que, desde 1974, o país implantou, em média, menos de 12 quilômetros de corredores por ano.
Curitiba inaugurou o primeiro corredor em 1974
O primeiro corredor de BRT entrou em operação em Curitiba em 1974. A capital paranaense tornou-se referência mundial ao priorizar o transporte coletivo por ônibus em vias exclusivas. Apesar do pioneirismo, a expansão nacional foi pontual ao longo das décadas seguintes. O estudo mostra que houve maior concentração de investimentos entre 2012 e 2016, período relacionado à preparação das cidades brasileiras para a Copa do Mundo em 2014 e para os Jogos Olímpicos.
Ainda assim, a média anual de implantação ficou abaixo de 12 quilômetros, indicando que o ritmo não se manteve constante.
Atualmente são 556 km de vias dedicadas
Os dados atuais indicam que existem 556 quilômetros de vias dedicadas exclusivamente ao transporte público coletivo por ônibus. Esses corredores estão distribuídos em apenas 15 cidades do país, que operam 17 sistemas BRT. Os ônibus circulam em 35 corredores, o que demonstra uma concentração geográfica e uma cobertura ainda limitada diante da demanda por mobilidade urbana. A implantação ocorreu de forma pontual, sem uma política nacional contínua que garantisse expansão uniforme.
Estudo analisou aspectos institucionais e operacionais
O levantamento analisou aspectos institucionais, regulatórios, físicos, operacionais e econômicos dos sistemas em funcionamento no país. Foi desenvolvido como contribuição da NTU ao BNDES, no âmbito do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). Apenas três dos 17 sistemas BRT foram viabilizados com processos licitatórios exclusivos. Na maioria das vezes, a delegação para a operação do BRT aconteceu por aditivo ou enquadramento em contratos de concessão vigentes. Essa prática pode ter contribuído para a lentidão na expansão, pois não criou novos marcos regulatórios específicos para o BRT.
Diretor da NTU defende política contínua
O diretor-presidente da NTU, Francisco Christovam, afirma que o levantamento demonstra que o país precisa transformar experiências bem-sucedidas em uma política mais contínua de investimentos em transporte público de média e alta capacidades. Segundo ele, o Brasil mostrou, há décadas, que o BRT é uma solução capaz de dar prioridade ao transporte coletivo, ampliar a capacidade dos corredores e melhorar a qualidade dos deslocamentos. A declaração reforça a necessidade de planejamento de longo prazo, com metas claras e financiamento estável, para que o BRT possa atender mais cidades e passageiros.
O estudo não detalha os motivos específicos para a baixa média anual, mas a concentração de investimentos em períodos de grandes eventos esportivos evidencia uma abordagem reativa. A falta de licitações exclusivas na maioria dos sistemas também sugere que o BRT foi incorporado a contratos existentes, sem um processo competitivo que pudesse trazer inovação e eficiência.
A fonte não detalhou se há projetos em andamento para reverter esse cenário, mas o diagnóstico da NTU indica a urgência de uma política nacional de mobilidade que priorize corredores de ônibus de alta capacidade.
Os números revelam um descompasso entre a necessidade de transporte público eficiente e a realidade da infraestrutura. Enquanto Curitiba demonstra o potencial do BRT desde os anos 1970, a expansão nacional ficou aquém do esperado. O estudo alerta gestores públicos e a sociedade: sem investimentos contínuos e marcos regulatórios adequados, o Brasil pode perder a oportunidade de ampliar uma solução eficaz na priorização do transporte coletivo.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- NTU (ntu.org.br)

