O Brasil enfrenta um cenário alarmante na segurança viária: morrem cinco vezes mais pessoas no trânsito do que nos Estados Unidos, considerando a mesma distância percorrida. A comparação é do professor e especialista em segurança viária David Duarte Lima, que analisa dados oficiais dos dois países, como os do Ministério dos Transportes e da NHTSA. Enquanto os EUA registram 6,84 mortes por bilhão de quilômetros percorridos, a taxa brasileira chega a aproximadamente 34, segundo dados do especialista David Duarte Lima, evidenciando uma disparidade que exige atenção urgente.
Dados revelam abismo
Os números apresentados por David Duarte Lima são contundentes: a taxa de mortalidade no trânsito brasileiro é cerca de cinco vezes superior à norte-americana. Para ele, essa diferença reflete décadas de investimentos insuficientes em infraestrutura, fiscalização e educação no trânsito. “Precisamos urgentemente de políticas públicas eficazes para reverter esse quadro”, afirma o especialista.
Enquanto isso, os Estados Unidos comemoram avanços consistentes. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) divulgou indicadores que apontam melhora contínua na segurança viária. Em 2025, o país atingiu a marca de 1,10 morte para cada 100 milhões de milhas percorridas por veículos, a segunda menor taxa já registrada na série histórica.
Redução expressiva nos EUA
Os dados do NHTSA mostram uma queda de 6,7% no número estimado de mortes em 2025, com 39.254 óbitos registrados em 2024 contra uma estimativa menor no ano seguinte. A redução representa mais de 2,6 mil vidas poupadas em um único ano. Além disso, as mortes diminuíram em 39 estados, no Distrito de Columbia e em Porto Rico.
Paralelamente, a distância total percorrida pelos veículos aumentou cerca de 29,8 bilhões de milhas em 2025, um crescimento de aproximadamente 0,9%. Isso indica que a queda na mortalidade ocorreu mesmo com mais carros nas ruas, reforçando a eficácia das medidas adotadas.
Estratégias que funcionam
O Departamento de Transportes dos EUA relaciona parte da melhora ao reforço das ações de fiscalização e prevenção de comportamentos de alto risco. Entre as frentes mencionadas estão o combate à direção sob efeito de álcool, à distração ao volante e à falta do uso do cinto de segurança. Também foram destacadas ações para fiscalizar a qualificação de motoristas profissionais de veículos pesados e iniciativas para ampliar o acesso a veículos mais novos e equipados com recursos de segurança.
No entanto, os dados divulgados pelo NHTSA não permitem atribuir a redução das mortes a uma única ação específica. A melhora provavelmente resulta de um conjunto de fatores, incluindo campanhas educativas e avanços tecnológicos.
Campanhas de conscientização
O anúncio dos dados ocorreu durante um evento que marcou abril como o mês nacional de conscientização sobre a direção distraída nos EUA. Segundo o NHTSA, 18 pessoas ficam feridas a cada meia hora em sinistros relacionados à distração ao volante, e aproximadamente uma pessoa morre a cada duas horas e meia em ocorrências associadas a esse comportamento.
Entre 6 e 13 de abril, o órgão realizou a campanha “Put the Phone Away or Pay” — em tradução livre, “Guarde o celular ou pague”. A iniciativa busca alertar sobre os perigos do uso do celular ao volante, uma das principais causas de acidentes no país.
Lições para o Brasil
Os números norte-americanos mostram que é possível reduzir drasticamente as mortes no trânsito com políticas sérias e contínuas. No Brasil, a taxa de 34 mortes por bilhão de quilômetros percorridos revela um longo caminho a percorrer. Especialistas como David Duarte Lima defendem a adoção de medidas semelhantes, incluindo fiscalização mais rígida, investimento em infraestrutura segura e campanhas educativas permanentes.
A comparação com os EUA serve como um alerta: enquanto lá a segurança viária é prioridade, aqui ainda há muito a avançar. A redução de mortes no trânsito brasileiro depende de ações coordenadas entre governo, sociedade e setor privado. A mudança exige compromisso de longo prazo, com metas claras e monitoramento contínuo.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- joasouza (depositphotos.com)
- NHTSA (www.nhtsa.gov)

