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Vendas de elétricos crescem no Brasil e caem no mundo


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Vendas de elétricos crescem no Brasil e caem no mundo
Crédito: autoesporte.globo.com

Vendas de elétricos crescem no Brasil e caem no mundo

No primeiro semestre de 2026, o contraste entre Brasil e mundo no segmento de veículos eletrificados chamou a atenção de analistas. As vendas de veículos eletrificados seguiram trajetórias opostas: enquanto o país viu um salto de 147,5% nas comercializações, o mercado global recuou 11%. A diferença é explicada por fatores como a retirada de incentivos governamentais em mercados maduros e a intensa competição por preços no território brasileiro.

Cenários opostos: Brasil acelera, mundo freia

De acordo com o levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os emplacamentos de automóveis elétricos e híbridos no país saltaram 147,5% nos primeiros seis meses de 2026, frente ao mesmo período de 2025. São dados que contrastam radicalmente com o panorama internacional: conforme balanço publicado pela Reuters, as vendas globais desses veículos encolheram 11% no mesmo intervalo.

Enquanto o mercado internacional enfrenta um arrefecimento, o brasileiro mostra um fôlego inédito, sustentado por fatores internos e externos. Essa divergência tem raízes profundas nas diferentes realidades regulatórias e comerciais.

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O peso das políticas públicas no exterior

Por quase uma década, a expansão dos veículos eletrificados em diversos países foi sustentada por políticas governamentais. Esses estímulos, que variavam de subsídios diretos a benefícios fiscais, ajudaram a popularizar a tecnologia em regiões como Europa, China e América do Norte. A fonte não detalhou a cronologia dessas mudanças, mas é fato que, com a suspensão ou diminuição dessas medidas, o setor passou a depender muito mais da competitividade natural dos produtos do que dos incentivos artificiais.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as taxas de importação para carros elétricos chineses foram fixadas em 100%, uma barreira que desaqueceu o fluxo de modelos acessíveis. Já na União Europeia, a sobretaxa atual prepara uma pequena redução das tarifas vigentes, sinalizando ajustes marginais, mas ainda distantes dos antigos benefícios. Essas barreiras comerciais e o esfriamento dos auxílios públicos ajudam a explicar a retração global, especialmente em mercados maduros, que incluem China, Japão, Estados Unidos, Europa e México. Assim, a realidade internacional contrasta fortemente com o momento vivido pelo consumidor brasileiro.

A guerra de preços que impulsiona o mercado brasileiro

O motor do crescimento no Brasil está diretamente ligado à oferta. O brasileiro adota a eletrificação por encontrar uma grande diversificação de produtos com alta competitividade, tecnologia embarcada avançada, garantias extensas e a promessa de custo operacional reduzido.

Além disso, uma agressiva guerra de preços, travada entre montadoras tradicionais e novas concorrentes, tem feito os valores caírem de forma acelerada. Essa disputa comercial acirrada torna os elétricos cada vez mais acessíveis. A oferta cresceu em quantidade e variedade, incluindo diferentes categorias de veículos, todos com promessas de economia de combustível e menor manutenção. A indústria tem respondido com lançamentos constantes, ampliando o leque de opções e acirrando a concorrência. Essas condições colocam o Brasil em uma posição peculiar, ainda que em descompasso temporal com mercados mais maduros.

Brasil, um mercado atrasado mas com apetite

Especialistas apontam que o Brasil está, no mínimo, dois anos atrás de mercados maduros, como China, Japão, Europa, Estados Unidos e México, em termos de adoção de eletrificados. Entretanto, essa defasagem não impede o avanço veloz. Pelo contrário, a desaceleração no mercado chinês pode beneficiar o abastecimento de veículos para destinos como o próprio Brasil, além de México, Sudeste Asiático, Oriente Médio e outros países da América do Sul.

Com a demanda interna chinesa perdendo força, as montadoras ampliam o foco na exportação, o que tende a aumentar a disponibilidade e reduzir preços nesses mercados. Assim, o Brasil se beneficia de um fluxo maior de modelos e de uma briga comercial que favorece o comprador. Essa janela, porém, exige atenção para que o país não dependa apenas de fatores externos.

Diversificação tecnológica como caminho

O mundo está repensando o discurso do elétrico puro. Christopher Podgorski, CEO da Scania Latin America, já defendia que o transporte deveria ser eclético e regionalizado. Essa visão encontra eco na realidade brasileira, onde as tecnologias que melhor conversam com o mercado incluem etanol, veículos flex, híbridos leves, híbridos flex, híbridos plug-in, elétricos puros, biocombustíveis e biogases.

A pluralidade de rotas tecnológicas permite que o país aproveite suas vocações naturais, como a produção de etanol e biocombustíveis, ao mesmo tempo em que introduz a eletrificação de forma gradual. Dessa forma, o Brasil pode construir uma matriz de mobilidade mais sustentável sem depender de uma única solução, alinhando-se às tendências globais de diversificação.

Desafios e potencial da indústria nacional

Historicamente, o Brasil produz três vezes mais veículos do que a Argentina e seis vezes mais do que o Chile, demonstrando uma capacidade industrial relevante. Temos um mercado em crescimento, capacidade tecnológica e inovações próprias, além de uma indústria com boa escala. Ainda assim, faltam volumes maiores e uma política de longo prazo estruturada para defender os interesses nacionais. Sem diretrizes claras, o país corre o risco de oscilar ao sabor das marés internacionais.

Contudo, a combinação de um parque industrial robusto com a atual euforia do consumidor sugere que, se bem conduzido, o Brasil pode transformar o momento favorável em um ciclo sustentado de crescimento. Até lá, a cautela segue como ingrediente indispensável para que a eletrificação não perca tração.

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