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Segurança no trânsito Brasil: IRIS 2026 revela diferenças

Segurança no trânsito Brasil: IRIS 2026 revela diferenças

Crédito: www.portaldotransito.com.br

O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) divulgou a edição 2026 do IRIS – Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança, com dados referentes a 2024. O levantamento classifica as unidades federativas do Brasil em uma escala de estrelas, revelando disparidades significativas na gestão da segurança no trânsito. O Distrito Federal obteve a maior classificação geral, com quatro estrelas, enquanto estados da região Norte figuram entre os piores desempenhos.

Além de ranquear os entes federativos, o estudo aponta falhas na qualidade dos dados disponíveis. Apenas cinco estados (por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina) apresentaram registros considerados suficientemente completos no Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (RENAEST). Nos demais, foi identificada uma proporção elevada de campos indisponíveis, o que compromete a precisão das análises e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Distrito Federal lidera com nota máxima

O Distrito Federal alcançou quatro estrelas (em uma escala de até cinco) na classificação geral do IRIS 2026, o melhor resultado entre todas as unidades da federação. A unidade obteve nota 10 nos pilares de gestão da segurança viária e de normatização e fiscalização, demonstrando consistência em áreas consideradas estruturantes para a redução de sinistros.

O desempenho do DF reflete um esforço coordenado entre órgãos de trânsito e políticas de fiscalização mais rígidas. No entanto, o próprio levantamento indica que a capital federal também se destaca em indicadores negativos, como registros proporcionais de infrações por excesso de velocidade. Essa aparente contradição sugere que, embora a estrutura de gestão seja robusta, o comportamento dos condutores ainda exige atenção.

A liderança do Distrito Federal serve de referência para outras unidades, mas também evidencia que altas notas em gestão não se traduzem automaticamente em redução de comportamentos de risco. A transição para a próxima seção mostra como outros estados se posicionam nesse cenário.

Rio e Goiás completam o pódio

O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 3,9 estrelas, e registrou nota 10 (em uma escala de 0 a 10) em educação para o trânsito, indicando excelência nesse pilar. Esse resultado indica que o estado fluminense investe de forma expressiva em campanhas e programas educativos, um dos pilares previstos no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).

Goiás alcançou 3,8 estrelas na classificação geral, ficando em terceiro lugar. No pilar de normatização e fiscalização, o estado obteve nota 4,7 (em uma escala de 0 a 10), atrás do Distrito Federal. Ainda assim, Goiás aparece entre as unidades com maiores registros proporcionais de infrações por excesso de velocidade, ao lado do Distrito Federal e de Roraima.

Nos registros de uso de celular ao volante, Goiás, Distrito Federal e São Paulo apresentam as maiores taxas. Esses dados revelam que, mesmo em estados com boa estrutura de gestão, a fiscalização e a mudança de comportamento ainda enfrentam desafios consideráveis. A próxima seção aborda as unidades com desempenho mais baixo.

Amazonas, Acre e Amapá na lanterna

Na outra ponta da classificação, o Amazonas registrou 1,9 estrela, enquanto Acre e Amapá ficaram com duas estrelas. Esses números colocam os três estados do Norte entre os piores desempenhos do país em segurança no trânsito, segundo o IRIS 2026.

O baixo desempenho pode estar relacionado a deficiências em múltiplos pilares, embora o estudo não detalhe as causas específicas para cada unidade. A falta de dados completos no RENAEST, mencionada anteriormente, pode dificultar a identificação precisa dos gargalos nesses estados.

A concentração de notas baixas na região Norte sugere a necessidade de políticas diferenciadas, considerando as particularidades geográficas e de infraestrutura. A transição para a próxima seção explora a metodologia do IRIS e seus sete pilares.

Metodologia baseada em sete dimensões

O IRIS reúne sete dimensões para avaliar a segurança viária. Seis delas correspondem aos pilares previstos no Pnatrans: gestão da segurança, vias seguras, segurança veicular, educação, atendimento às vítimas e normatização e fiscalização. O estudo acrescenta um sétimo pilar, relacionado aos indicadores de mortalidade. Cada pilar é avaliado com base em indicadores específicos, como taxas de mortalidade, investimentos em infraestrutura e resultados de fiscalização, e recebe uma pontuação de 0 a 10, que é então convertida em estrelas.

Essa estrutura permite uma análise abrangente, indo além da simples contagem de acidentes. Ao considerar desde a qualidade das vias até a eficiência do socorro às vítimas, o IRIS busca oferecer um retrato mais fiel da realidade de cada estado.

A inclusão do pilar de mortalidade é um diferencial importante, pois conecta as ações de gestão com os resultados efetivos em termos de vidas perdidas. A próxima seção detalha as falhas identificadas nos dados do RENAEST.

Falhas no RENAEST comprometem análises

Segundo o levantamento, apenas cinco estados apresentaram registros considerados suficientemente completos no RENAEST. Nos demais, foi identificada uma proporção elevada de campos indisponíveis, o que significa que informações essenciais sobre sinistros, como local, tipo de veículo e perfil das vítimas, podem estar ausentes ou inconsistentes.

Essa lacuna tem implicações diretas para a formulação de políticas públicas. Sem dados confiáveis, gestores podem alocar recursos de forma equivocada ou deixar de priorizar áreas críticas. O próprio ONSV destaca a importância de melhorar a qualidade do registro para que o IRIS cumpra seu papel de orientar decisões.

A melhoria do RENAEST depende de investimentos em capacitação, sistemas e integração entre os órgãos de trânsito estaduais e municipais. A transição para a conclusão reforça a relevância do estudo para o cenário nacional.

Desafios e perspectivas para o Brasil

O IRIS 2026 evidencia que a segurança no trânsito Brasil é um desafio heterogêneo, com realidades muito distintas entre as unidades federativas. Enquanto o Distrito Federal se destaca pela gestão e fiscalização, estados do Norte enfrentam dificuldades estruturais que se refletem em notas baixas.

Os dados sobre infrações por excesso de velocidade e uso de celular ao volante mostram que, mesmo em locais com boa estrutura, o comportamento dos condutores permanece um ponto crítico. A educação para o trânsito, pilar em que o Rio de Janeiro obteve nota máxima, surge como ferramenta essencial para mudar essa cultura.

O levantamento também expõe a fragilidade dos sistemas de informação, com a maioria dos estados apresentando dados incompletos no RENAEST. Sem um registro confiável, qualquer avaliação de progresso fica comprometida. O ONSV, ao publicar o IRIS 2026, oferece um diagnóstico valioso, mas a efetividade das políticas dependerá da capacidade de cada estado em transformar esses indicadores em ações concretas.

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