Strada se afasta do Mobi e se aproxima do Argo
A Fiat Strada, líder de vendas no Brasil há anos, passará por uma transformação significativa em sua próxima geração. De acordo com projeções, a picape deixará de lado o parentesco direto com o Mobi para se alinhar ao novo Argo, tornando-se irmã direta do compacto. Isso significa que a Strada adotará a mesma plataforma Smart Car dos demais integrantes da família Argo, uma base moderna que oferece suporte para eletrificação.
A mudança de plataforma não é apenas técnica: ela reposiciona a Strada dentro da linha Fiat, aproximando-a de modelos mais recentes. O compartilhamento de peças será intenso, incluindo portas dianteiras, capô e para-lamas. O interior também será herdado, com painel e forrações de porta idênticos aos do Argo. Essa estratégia de sinergia entre modelos é comum na indústria e visa reduzir custos de produção e desenvolvimento.
Apesar do parentesco, a nova Strada terá identidade própria e alinhada à nova filosofia estética da Fiat. Projeções elaboradas pelo designer João Kleber Amaral antecipam faróis com formato exclusivo e para-choque com desenho diferente do Argo. Na traseira, destaque para a tampa da caçamba com abertura convencional e as lanternas integradas ao formato da carroceria. Esses elementos garantem que a picape mantenha sua personalidade, mesmo compartilhando a base.
Vídeo: YouTube | Fonte: autoesporte.globo.com
Plataforma Smart Car abre caminho para híbridos
A plataforma Smart Car, que já equipa o Argo e outros modelos do grupo Stellantis, é um dos principais trunfos da nova Strada. Ela foi projetada para acomodar sistemas de eletrificação, o que abre caminho para motorizações híbridas. Entre as opções previstas está o conjunto T200 Hybrid, formado pelo motor 1.0 turbo flex de três cilindros com 116 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, aliado a um sistema de 12V, conhecido como BSG (Belt-driven Starter Generator).
Esse sistema híbrido leve é capaz de reduzir o consumo de combustível e as emissões, além de proporcionar partidas mais suaves. A adoção de uma plataforma moderna também permite que a Strada se mantenha competitiva em termos de segurança e conectividade. A base é compatível com sistemas avançados de assistência ao condutor, como frenagem autônoma de emergência e alerta de ponto cego, embora a Fiat não tenha confirmado quais equipamentos estarão disponíveis.
A eletrificação é uma tendência global, e a Strada, como modelo de alto volume, pode se beneficiar dessa tecnologia para atender a futuras regulamentações de emissões. A fonte não detalhou se a versão híbrida chegará já no lançamento ou em um segundo momento, mas a plataforma já está preparada.
Porte e versatilidade mantidos
Apesar das mudanças internas, a nova Strada deve seguir as medidas do modelo atual, que mede 4,48 metros de comprimento, 1,73 m de largura e 1,59 m de altura. Não haverá grandes alterações no porte para não invadir o terreno da Toro, posicionada logo acima. A Strada continuará a ser vendida com opções de cabine simples ou cabine dupla, além de suspensão traseira reforçada para levar carga.
Essa estratégia de manter o porte similar garante que a picape continue atendendo ao seu público principal: trabalhadores e pequenos empresários que precisam de um veículo robusto e versátil. A capacidade de carga deve permanecer competitiva, embora os números exatos não tenham sido divulgados. A suspensão traseira reforçada é um diferencial importante para quem utiliza a Strada como ferramenta de trabalho.
A versatilidade é um dos pontos fortes da Strada, e a nova geração deve manter essa característica. As opções de cabine simples e dupla atendem a diferentes necessidades, desde o transporte de carga até o uso familiar. A Fiat parece focada em não perder a essência que fez da Strada um sucesso de vendas.
Projeto global pode levar Strada de volta à Europa
O projeto da nova Strada atende pelo codinome XBP e vem sendo tratado pela Fiat como global. O CEO global da Fiat, Olivier François, afirmou que a picape pequena terá amplo alcance comercial e será vendida até na Europa. Isso representa um retorno da Strada ao mercado europeu, onde já foi comercializada no passado.
Desde a primeira geração, lançada no final da década de 1990, a Strada foi exportada do Brasil para a Europa em diferentes momentos, alcançando países como Itália, Alemanha, Portugal, Grécia e Turquia. A última vez foi em 2012, sempre nas versões Working, Trekking e Adventure com motor 1.3 a diesel. Agora, com uma plataforma moderna e opções de eletrificação, a Strada pode atender às exigências europeias de emissões e segurança.
A volta ao mercado europeu é um movimento estratégico para a Fiat, que busca fortalecer sua presença global. A Strada pode competir com modelos como a Ford Maverick e a Hyundai Santa Cruz, embora em um segmento menor. A fonte não detalhou quais mercados específicos serão priorizados, mas a declaração do CEO indica que a Europa está nos planos.
Concorrência com a Tukan e outras picapes
A nova Strada terá como principal rival a Tukan, uma picape compacta que também está sendo desenvolvida pela Stellantis. A Tukan deve compartilhar a mesma plataforma Smart Car, mas com proposta mais urbana e aventureira. A Strada, por sua vez, manterá o foco no trabalho pesado, com suspensão reforçada e opções de cabine simples.
A concorrência entre as duas picapes será interessante, pois ambas pertencem ao mesmo grupo, mas com posicionamentos distintos. Enquanto a Tukan pode atrair um público mais jovem e urbano, a Strada continuará sendo a escolha de quem precisa de robustez e capacidade de carga. A Fiat parece apostar na diferenciação para evitar canibalização entre os modelos.
Além da Tukan, a Strada enfrentará concorrentes como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, que também passaram por atualizações recentes. A nova geração da Strada precisará oferecer um conjunto equilibrado de tecnologia, desempenho e custo-benefício para manter a liderança no segmento. A fonte não detalhou preços ou data de lançamento, mas as projeções indicam que a picape deve chegar ao mercado em 2025.

