As mortes de motociclistas em São Paulo alcançaram 1.234 em 2025, o maior número desde 2010, segundo o Infosiga., acendendo um alerta para a segurança viária em todo o Brasil. O aumento dos sinistros envolvendo veículos de duas rodas reflete uma combinação de fatores que vão desde a vulnerabilidade física dos condutores até as condições das vias e o comportamento no trânsito. A situação exige atenção de gestores públicos, especialistas e da sociedade como um todo.
Diferentemente dos ocupantes de automóveis, motociclistas e passageiros não contam com uma estrutura ao redor do corpo para absorver parte da energia de um impacto. Mesmo usando capacete e outros equipamentos, eles permanecem diretamente expostos em colisões, quedas e atropelamentos. No caso da motocicleta, não existe uma carroceria para proteger o ocupante.
Riscos ampliados por infraestrutura e comportamento
As condições das vias representam um perigo adicional para quem se desloca sobre duas rodas. Buracos, óleo na pista, areia, sinalização desgastada e objetos soltos representam riscos maiores para veículos de duas rodas. Além disso, vias projetadas somente para o fluxo de automóveis não respondem adequadamente às necessidades de motociclistas, ciclistas e pedestres.
O comportamento de todos os usuários também influencia diretamente a segurança. Uma mudança de faixa sem observar o ponto cego pode produzir consequências graves quando há uma motocicleta ao lado. Da mesma forma, excesso de velocidade, avanço do sinal vermelho, circulação pelo ponto cego dos veículos e ultrapassagens arriscadas aumentam a possibilidade de sinistros.
Velocidade como fator determinante
A velocidade é um elemento central na gravidade dos acidentes. Quanto mais rápido o veículo se desloca, menor é o tempo disponível para perceber o perigo e maior é a energia liberada no impacto. Por isso, a redução da velocidade é apontada como uma medida eficaz para diminuir a severidade das ocorrências.
A Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) definiu para 2026 a campanha “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, com veiculação em rádio, TV e redes sociais a partir de janeiro. Conforme a Senatran, a redução da velocidade pode diminuir a gravidade dos sinistros e contribuir para ambientes urbanos mais seguros e inclusivos.
Medidas para reduzir os riscos
O engenheiro de tráfego Paulo Sérgio, do IPT, defende redução de velocidade para 40 km/h em vias arteriais e fiscalização por radares. Medidas como limites compatíveis com a função da via, fiscalização contínua e redução de velocidade em regiões comerciais, residenciais e com grande circulação de pedestres podem proteger não apenas motociclistas, mas todos os usuários.
Entre as medidas que podem reduzir riscos estão: retirada rápida de óleo, areia e objetos da pista; melhoria da visibilidade nos cruzamentos; fiscalização do estacionamento próximo às esquinas; redução de conflitos em conversões e acessos; tratamento dos pontos com concentração de mortes e feridos graves.
Faixas azuis e organização do tráfego
Em São Paulo, as 45 faixas azuis implantadas pela prefeitura atendem 120 mil motociclistas por dia e reduziram em 30% os acidentes nas vias onde foram instaladas, segundo a CET. A administração municipal informa que o recurso está presente em dezenas de vias e atende milhares de motociclistas diariamente. A medida busca reduzir conflitos entre veículos de diferentes portes e melhorar a fluidez.
Formação e responsabilidade compartilhada
Segundo a OMS, 90% dos acidentes de trânsito envolvem falha humana, mas a infraestrutura e a fiscalização podem reduzir em até 50% as mortes. Nesse contexto, a habilitação para motocicletas precisa preparar o candidato para situações reais de circulação. Controle do veículo em baixa velocidade, frenagem, curvas, leitura do ambiente, posicionamento na pista e percepção dos pontos cegos são competências essenciais.
Após a obtenção da CNH, cursos de aperfeiçoamento podem ser especialmente importantes para quem passa a utilizar a motocicleta profissionalmente. Além disso, condutores de automóveis, ônibus e caminhões devem verificar os espelhos e o ponto cego antes de mudar de faixa, abrir a porta ou realizar conversões. A responsabilidade pela segurança é compartilhada entre todos os atores do trânsito.
A frota de motocicletas no Brasil cresceu 45% em cinco anos, chegando a 32 milhões de unidades, segundo o Denatran. No entanto, sem uma abordagem integrada que considere infraestrutura, educação e fiscalização, o número de mortes tende a permanecer elevado. O recorde em São Paulo serve de alerta para que outras cidades brasileiras adotem medidas preventivas antes que o problema se agrave.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- Ipea (www.ipea.gov.br)

