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Mobilidade urbana e moradia: menos garagem, mais metrô


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Mobilidade urbana e moradia: menos garagem, mais metrô
Crédito: www.portaldotransito.com.br

Garagem perde valor em novas moradias

Durante décadas, a vaga de garagem foi um dos itens mais valorizados de um imóvel. Hoje, essa lógica começa a mudar em algumas regiões das grandes cidades. O fenômeno reflete mudanças no comportamento da população, que busca reduzir o tempo gasto nos deslocamentos diários e ampliar a qualidade de vida em centros urbanos cada vez mais congestionados.

Conforme o CEO da Emccamp Residencial, Régis Guimarães Campos, a localização passou a ocupar papel central na decisão de compra. A mudança de comportamento está diretamente relacionada à busca por redução dos tempos de deslocamento. Para muitas pessoas, morar próximo ao transporte público ou a serviços essenciais significa ganhar horas ao longo da semana.

Metragem menor, espaços compartilhados

Outra característica desse movimento é a redução da metragem privativa dos imóveis. Coworkings, academias, mercados internos, bicicletários e áreas de lazer tornaram-se itens cada vez mais frequentes nos novos projetos imobiliários. A lógica é simples: parte da área que antes se concentrava dentro do apartamento passa a ter distribuição em espaços coletivos, ampliando as possibilidades de uso sem elevar significativamente o custo final do imóvel.

Especialistas em planejamento urbano vêm apontando há anos a importância de integrar moradia, transporte e serviços para reduzir deslocamentos e tornar as cidades mais eficientes. A concentração de empreendimentos residenciais próximos a sistemas de transporte de alta capacidade também pode contribuir para diminuir a dependência do automóvel e estimular formas mais sustentáveis de mobilidade.

Empreendimentos sem vaga de garagem

Talvez a mudança mais simbólica dessa nova dinâmica urbana seja o crescimento dos empreendimentos sem vagas de garagem. Em regiões atendidas por metrô e outros modais de transporte coletivo, muitos compradores estão abrindo mão do carro particular como elemento central da rotina. A Emccamp cita como exemplo o empreendimento GO! Tatuapé, localizado próximo ao metrô na capital paulista. Segundo a empresa, o projeto GO! Tatuapé, lançado sem vagas de garagem, vendeu 80% das unidades nos três primeiros meses de comercialização.

A ausência de vagas também produz reflexos na construção. Sem a necessidade de destinar grandes estruturas ao estacionamento, os cronogramas tendem a ser reduzidos, permitindo entregas mais rápidas. A fonte não detalhou o tempo de redução, mas o impacto na agilidade das obras é evidente.

Perfil do comprador se transforma

Segundo o diretor de Incorporação da Emccamp Residencial, André Del Nero, o perfil dos compradores também mudou. A escolha da moradia passa a ser influenciada por fatores como caminhabilidade, acesso ao transporte público, disponibilidade de serviços e tempo gasto no trânsito. Embora se observe o movimento inicialmente no setor imobiliário, ele reflete uma transformação mais ampla nas cidades brasileiras.

Nesse contexto, a valorização de bairros conectados ao metrô e a outros modais tende a continuar influenciando o desenvolvimento urbano nos próximos anos. A integração entre moradia, transporte e serviços se consolida como tendência para quem busca mais qualidade de vida nos grandes centros.

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