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Mobilidade urbana feminina: 9 em 10 mulheres sentem impacto


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Mobilidade urbana feminina: 9 em 10 mulheres sentem impacto
Crédito: www.portaldotransito.com.br

Pesquisa nacional mostra que 9 em cada 10 mulheres sentem que mobilidade e segurança limitam trabalho, estudo e lazer O levantamento, que ouviu mulheres de diferentes perfis, evidencia como o direito de ir e vir está diretamente ligado à autonomia feminina e ao acesso a direitos básicos. Os dados mostram que a insegurança, a falta de recursos financeiros e a deficiência do transporte público são barreiras cotidianas para a população feminina.

O estudo, realizado em agosto de 2025, contou com uma etapa qualitativa que ouviu 49 mulheres de diferentes perfis. Além disso, foram realizadas entrevistas com especialistas ligadas a temas como planejamento urbano, direito à cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e mobilidade ativa. A pesquisa não informou a abrangência geográfica da etapa quantitativa, o que limita a generalização dos resultados.

Insegurança limita liberdade de ir e vir

A insegurança é o principal fator limitante, citado por 32% das mulheres. Esse é o principal obstáculo apontado pelas entrevistadas, superando inclusive questões econômicas. O medo de sofrer assédio, roubo ou agressão faz com que muitas mulheres evitem sair em determinados horários ou frequentar certos locais.

Os números reforçam essa percepção: 87% das mulheres evitam certos bairros ou regiões da cidade por questões de segurança. Além disso, 73% planejam os horários de saída em função da própria segurança. Essas estratégias de autoproteção, embora necessárias, restringem a mobilidade e limitam o acesso a oportunidades de emprego, educação e lazer.

Outro dado relevante é que 63% das mulheres já evitaram algum meio de transporte por insegurança. O transporte público, muitas vezes lotado e mal iluminado, é apontado como um espaço de vulnerabilidade. A sensação de desproteção leva muitas a optar por meios mais caros, como aplicativos de transporte, ou a desistir de deslocamentos.

Além disso, 60% das mulheres mudaram de rota por insegurança. Essa alteração de trajeto pode significar mais tempo de viagem, maior custo e, em alguns casos, a impossibilidade de chegar ao destino. A falta de segurança, portanto, não é apenas uma questão de conforto, mas um fator que impacta diretamente a vida prática das mulheres.

Falta de dinheiro e transporte precário

A falta de dinheiro é citada por 22% das mulheres como fator que limita a liberdade de ir e vir. Para muitas, o custo do transporte consome parte significativa da renda, especialmente para aquelas que dependem de ônibus ou aplicativos. A pesquisa mostra que 80,3% das mulheres de baixa renda usam ônibus regularmente, enquanto apenas 52,1% das mulheres de alta renda fazem o mesmo.

O uso de carro próprio também reflete a desigualdade: 40,6% das mulheres de alta renda usam carro regularmente, contra apenas 8,3% das mulheres de baixa renda. Essa diferença evidencia como a mobilidade é atravessada por questões de classe social, limitando as opções de deslocamento para as mais pobres.

A falta de transporte público de qualidade é citada por 15% das mulheres como fator limitante. A distância dos lugares onde precisam ir é mencionada por 14%. Esses números, somados à insegurança e à falta de dinheiro, compõem um quadro de múltiplas barreiras que se sobrepõem e se reforçam.

Diante da precariedade do transporte público, muitas mulheres recorrem a alternativas mais caras. Segundo o levantamento, 67% das entrevistadas já pagaram mais caro em aplicativos por falta de opções no bairro. Essa escolha, muitas vezes feita por segurança ou falta de alternativas, pesa no orçamento e reduz a renda disponível para outras necessidades.

Histórias que revelam o impacto real

Os dados ganham rosto nas histórias das participantes. Uma mulher do Rio de Janeiro passou no vestibular da UFRJ, mas não cursou porque não tinha como chegar às 7h. Ela já tinha sido assaltada várias vezes no ônibus e só andava de metrô, o que inviabilizava o deslocamento no horário necessário.

Esse relato ilustra como a insegurança e a falta de transporte adequado podem impedir o acesso à educação. A impossibilidade de frequentar a universidade não se deveu à falta de mérito ou vontade, mas à ausência de condições seguras e acessíveis de mobilidade. A pesquisa não detalhou se a participante buscou alternativas de transporte ou apoio institucional para viabilizar a matrícula.

Casos como esse mostram que a mobilidade urbana não é uma questão neutra. Ela afeta desproporcionalmente as mulheres, especialmente as de baixa renda e moradoras de periferias, que enfrentam maiores distâncias, menor oferta de transporte e maior exposição à violência.

Especialistas apontam caminhos

As entrevistas com especialistas trouxeram reflexões sobre como enfrentar esses desafios. Temas como planejamento urbano, direito à cidade e mobilidade feminina foram discutidos, indicando a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de gênero. As especialistas sugerem, por exemplo, iluminação adequada nos pontos de ônibus, aumento da frequência em horários de pico e criação de rotas que considerem os deslocamentos de cuidado.

A pesquisa evidencia que a mobilidade urbana é um direito fundamental que, quando negado, perpetua desigualdades. Garantir que as mulheres possam se deslocar com segurança e acessibilidade é essencial para promover igualdade de oportunidades em todas as esferas da vida.

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