Notícias

Greve de entregadores de aplicativos cobra taxa mínima e clareza


5 mins de leitura
Greve de entregadores de aplicativos cobra taxa mínima e clareza
Crédito: www.portaldotransito.com.br

Entregadores de aplicativos realizaram, na última terça-feira (1º), uma paralisação nacional para reivindicar melhores condições de trabalho. A mobilização, batizada de “Breque Geral dos Apps”, teve como principais demandas a criação de uma taxa mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros, o pagamento de R$ 2,50 por quilômetro percorrido e maior transparência nos bloqueios e suspensões de contas realizados pelas plataformas.

Em São Paulo, centenas de motociclistas participaram da mobilização, concentrando-se na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e seguindo em motociata até as sedes da 99 e do iFood. Foram registrados atos e paralisações em outras cidades, como Santos, Goiânia e Anápolis.

Reivindicações centrais da categoria

Os entregadores apontam que os valores pagos atualmente nem sempre são suficientes para cobrir os custos da atividade, como combustível, manutenção da motocicleta, pneus, equipamentos de proteção, alimentação e contribuição previdenciária. A ausência de remuneração mínima garantida agrava a instabilidade financeira da categoria. A proposta de taxa mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros busca assegurar um piso que compense os gastos fixos da profissão.

Além disso, o pagamento de R$ 2,50 por quilômetro percorrido visa remunerar de forma mais justa o deslocamento, especialmente em trajetos longos ou em áreas de difícil acesso. Essas demandas refletem a insatisfação com o modelo atual de remuneração, que não considera adequadamente os custos operacionais dos trabalhadores.

Outro ponto levantado pela categoria é a falta de clareza nos bloqueios de contas. Segundo os organizadores, alguns profissionais são suspensos por decisões automatizadas sem receber explicações detalhadas ou ter um canal adequado para contestar a medida. Essa opacidade gera insegurança e dificulta a contestação de punições injustas. A reivindicação por transparência nos bloqueios e suspensões busca garantir que os trabalhadores tenham acesso a informações claras sobre as regras e possam recorrer de decisões injustas.

A ausência de diálogo com as plataformas intensifica a vulnerabilidade dos trabalhadores.

Mobilização em São Paulo e outras cidades

Na capital paulista, o ato teve grande adesão. Centenas de motociclistas se reuniram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e percorreram as ruas em direção às sedes da 99 e do iFood. A motociata chamou a atenção para as demandas da categoria e pressionou as empresas a negociarem. Durante o movimento, a orientação dos organizadores era para que os entregadores permanecessem desconectados dos aplicativos, como forma de demonstrar a força da paralisação. A adesão em São Paulo foi significativa, mas a mobilização não se restringiu à capital.

Em Santos, Goiânia e Anápolis também foram registrados atos e paralisações, mostrando o caráter nacional do movimento. A descentralização das manifestações evidencia a abrangência nacional do movimento.

Os organizadores enfatizaram a importância de manter a unidade da categoria durante o protesto. A orientação para permanecer desconectado dos aplicativos visava evitar que a adesão fosse enfraquecida por entregadores que continuassem trabalhando. A estratégia de paralisação total buscou demonstrar a dependência das plataformas em relação à força de trabalho dos entregadores. Em algumas cidades, os atos contaram com a participação de lideranças sindicais e apoiadores, ampliando a visibilidade das reivindicações. A mobilização também serviu para denunciar práticas consideradas antissindicais por parte das empresas.

Denúncia de bônus durante o protesto

Durante o protesto em São Paulo, entregadores acusaram a 99Food e a Keeta de oferecer bônus para estimular os profissionais a permanecerem trabalhando. Capturas de tela divulgadas pelos participantes mostrariam valores adicionais de R$ 3 a R$ 9 por entrega em determinados horários e regiões. A oferta de remuneração dinâmica não é, por si só, considerada irregular, mas o questionamento apresentado pelos trabalhadores está relacionado à coincidência entre os bônus e o horário da mobilização.

Para os organizadores, a prática teria como objetivo esvaziar a paralisação, incentivando entregadores a furar o movimento em troca de ganhos extras. A denúncia ganhou força nas redes sociais e foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Uma representação foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), com pedido de investigação sobre uma possível prática antissindical. A denúncia solicita que sejam analisados os horários, as áreas, os valores e os critérios utilizados para liberar os incentivos. O objetivo é verificar se houve intenção deliberada de prejudicar a mobilização ou se os bônus faziam parte de uma estratégia regular de remuneração dinâmica. A investigação do MPT poderá esclarecer se as empresas agiram de forma a desestimular a participação no movimento grevista.

Até o momento, as plataformas não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.

Programa “+Entregas” em debate

O programa “+Entregas ” também está no centro das discussões. Na modalidade, o entregador trabalha em áreas e períodos previamente definidos e pode receber valores menores por pedido individual. A crítica dos trabalhadores é que essa sistemática reduz a remuneração média, pois o profissional fica restrito a uma região e horário, sem possibilidade de escolher entregas mais vantajosas. Além disso, o programa pode mascarar a ausência de uma taxa mínima, já que o ganho total depende do volume de pedidos realizados na área designada.

Os entregadores questionam se o “+Entregas” é uma alternativa justa ou uma forma de reduzir custos para as plataformas em detrimento dos trabalhadores.

O debate sobre o programa evidencia a necessidade de regras claras de remuneração. Os entregadores reivindicam que as regras sejam claras e que haja participação da categoria na definição das políticas de pagamento. A paralisação nacional foi uma tentativa de pressionar as empresas a negociarem essas demandas. Até o momento, não houve acordo formal; a categoria avalia novas paralisações caso as demandas não sejam atendidas. A categoria segue mobilizada e atenta às respostas das plataformas e do poder público.

Fonte