Carros

Fusca 0 km guardado 40 anos é relíquia polêmica


5 mins de leitura
Fusca 0 km guardado 40 anos é relíquia polêmica
Crédito: autoesporte.globo.com

Uma relíquia automotiva preservada

Em Campina Grande, na Paraíba, uma peça rara da história do automobilismo brasileiro chama a atenção de entusiastas e curiosos. Trata-se de um Volkswagen Fusca Última Série, fabricado em 1986, que permanece em condições próximas às de fábrica após quase quatro décadas.

O proprietário do veículo é o ex-senador Raimundo Lira, que integra o carro à sua coleção particular, que também inclui um Fiat 147. A ideia inicial, conforme registrado, era justamente guardar este Fusca especial junto com seus outros dois automóveis.

Estado de conservação impressionante

O estado de conservação do modelo é notável: em 40 anos, o hodômetro original registra apenas 780 quilômetros percorridos. Esses poucos quilômetros, conforme detalhado, foram acumulados exclusivamente por movimentações para subir e descer de caminhões-cegonha e por voltas realizadas para abastecimento.

Essa trajetória mínima reforça o status do carro como uma verdadeira cápsula do tempo sobre rodas, preservando intactas as características de sua época de lançamento.

Exposição atual e futura

Atualmente, o Fusca está exposto ao público no showroom da concessionária Volkswagen Cavesa, em Campina Grande, local que pertenceu ao ex-senador. A exposição permite que visitantes da loja apreciem de perto esta raridade.

No entanto, essa exibição é temporária: em meados de junho, o veículo sairá da revenda para ficar exposto na nova Garagem Rali, que está em construção na mesma cidade.

A mudança se deve ao fato de a coleção de Lira ter ficado maior do que o antigo espaço suportava, exigindo um local mais adequado para sua acomodação. Essa transição marca um novo capítulo na história pública desta relíquia.

A polêmica por trás da posse

A história deste Fusca 0 km, porém, não é marcada apenas pela preservação, mas também por uma controvérsia envolvendo sua posse. Em 1986, ano de fabricação do veículo, Raimundo Lira estava em campanha para assumir o posto de senador pela primeira vez.

Foi nesse contexto que ocorreu um episódio que gerou atrito: o gerente da concessionária VW Cavesa de Campina Grande vendeu o Fusca Última Série sem a autorização de Lira, que era o proprietário do estabelecimento na época.

Troca de unidades

O modelo específico vendido era a unidade de número 125, recebida pela loja. No entanto, o Fusca que compõe a coleção atual de Lira não tem essa numeração.

Após a venda não autorizada, o ex-senador não conseguiu recomprar aquele mesmo Volkswagen Fusca Última Série que lhe foi tirado. Em vez disso, para ter um exemplar da série final, ele adquiriu a unidade de número 652 de um conhecido em Campinas (SP) que era dono de uma revenda Volkswagen.

Essa aquisição alternativa permitiu que ele finalmente concretizasse o plano de guardar um exemplar da última geração do icônico modelo.

História entrelaçada

Essa sequência de eventos revela uma disputa silenciosa pela posse de um símbolo automotivo, mostrando como objetos podem carregar histórias pessoais e profissionais entrelaçadas.

A divergência entre o carro originalmente destinado à loja e o que efetivamente integra a coleção hoje é um detalhe que ressalta os percalços na trajetória desta relíquia. A polêmica, embora antiga, faz parte da narrativa que envolve este veículo tão especial.

Características técnicas da última série

Além de sua história singular, o Volkswagen Fusca Última Série de 1986 se destaca por suas especificações técnicas, que representam o ápice do desenvolvimento do modelo no Brasil.

Motor e desempenho

  • Motor: boxer de 1.600 cilindradas
  • Potência: 57 cavalos
  • Torque: 11,8 kgfm
  • Câmbio: manual de quatro marchas

Essa configuração mecânica, característica do Fusca, definia o desempenho da época.

Combustível e eficiência

Um detalhe tecnológico significativo para o período é que esse propulsor era projetado para rodar apenas com etanol, refletindo a política de combustíveis do Brasil na década de 1980.

Em termos de eficiência, segundo dados da época, seu consumo era de:

  • Cidade: 6,8 km/l
  • Estrada: 10,9 km/l

Essas características técnicas, preservadas intactas no exemplar de Lira, oferecem um retrato fiel da engenharia automotiva brasileira no final da produção do Fusca.

Documento histórico

O motor a etanol, em particular, simboliza uma fase de transição energética na indústria nacional. Assim, o carro não é apenas uma relíquia estética, mas também um documento histórico da tecnologia disponível ao consumidor no meio dos anos 80.

Do showroom para um novo museu

A próxima etapa na jornada pública deste Fusca já está definida. Conforme planejado, em meados de junho, o veículo deixará a concessionária Volkswagen Cavesa, onde atualmente está exposto, para ocupar um lugar de destaque na nova Garagem Rali, em construção em Campina Grande.

Mudança necessária

Essa mudança responde a uma necessidade prática: a coleção de Raimundo Lira cresceu além da capacidade do espaço anterior, exigindo um local mais amplo e dedicado.

A transferência para a Garagem Rali representa mais do que uma simples mudança de endereço; significa a institucionalização da exibição desta e de outras peças da coleção.

Experiência museológica

Um espaço museológico em construção sugere que a intenção é oferecer uma experiência mais estruturada e educativa ao público, possivelmente contextualizando o Fusca dentro da história automotiva regional e nacional.

Essa iniciativa pode ampliar o acesso e o apreço por este patrimônio sobre rodas.

Oportunidade única

Para os visitantes, será uma oportunidade única de ver, em um ambiente preparado, um exemplar que praticamente não saiu da condição de novo.

A exposição na nova garagem promete consolidar o status do carro como um ícone preservado, agora com uma narrativa que inclui sua polêmica origem, suas especificações técnicas históricas e seu meticuloso cuidado ao longo de quatro décadas.

O capítulo atual de exibição na concessionária, portanto, é apenas o prelúdio para uma etapa mais permanente e acessível da história desta relíquia.

Fonte