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Excesso de confiança ao volante aumenta riscos nas rodovias


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Excesso de confiança ao volante aumenta riscos nas rodovias
Crédito: www.portaldotransito.com.br

Dirigir com confiança é essencial, mas quando essa confiança se torna excessiva, o risco de acidentes cresce. Uma pesquisa recente, que ouviu mais de 6 mil pessoas em dez países, revelou que nove em cada dez motoristas afirmam se sentir seguros ao dirigir. No entanto, entre especialistas em segurança viária, menos da metade compartilha dessa percepção. O Brasil, inclusive, aparece entre os países onde os condutores demonstram maior confiança, mesmo diante dos elevados índices de acidentes e da complexidade das rodovias.

Tecnologia: aliada ou vilã?

O avanço tecnológico nos veículos trouxe sistemas de assistência à condução, como frenagem automática, alerta de ponto cego e controle de cruzeiro adaptativo. Para o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), esse progresso representa um ganho importante para a segurança, mas exige que os motoristas compreendam os limites desses recursos. “A tecnologia é uma aliada, mas a responsabilidade continua sendo humana”, afirma.

Muitos condutores, porém, confiam demais nesses sistemas e delegam decisões que deveriam ser suas. O uso inadequado ou a compreensão limitada dos sistemas eletrônicos de assistência à condução (ADAS), aliado às distrações provocadas pelos próprios equipamentos do veículo, figura entre os principais fatores de risco. Um motorista que confia cegamente no piloto automático pode não prestar atenção suficiente na via, aumentando o tempo de reação em situações inesperadas.

Percepção versus realidade

A pesquisa revela que 90% dos motoristas se sentem seguros, mas apenas 45% dos especialistas concordam. Enquanto 90% dos condutores se sentem seguros, menos da metade dos especialistas concorda. Essa discrepância sugere que muitos motoristas superestimam suas habilidades e subestimam os perigos das estradas. No Brasil, essa confiança é ainda mais acentuada, apesar dos altos índices de acidentes fatais em rodovias federais e estaduais.

Segundo o presidente do Sinaceg, o excesso de confiança leva a comportamentos de risco, como velocidade incompatível com a via, ultrapassagens perigosas e menor atenção às condições climáticas. A sensação de segurança proporcionada pela tecnologia pode criar uma falsa percepção de controle, fazendo o motorista negligenciar práticas básicas de segurança, como manter distância segura e revisar o veículo.

Responsabilidade humana em foco

O principal desafio para a segurança viária não é mais apenas a tecnologia embarcada, mas a forma como os motoristas utilizam esses recursos. Boizinho ressalta que “segurança não é apertar um botão e transferir decisões para o carro”. A segurança continua dependendo da capacidade do motorista de ler o ambiente, antecipar riscos e agir no momento certo.

Quanto mais tecnologia o veículo recebe, maior precisa ser a consciência do motorista sobre seus limites. Isso significa entender que os sistemas são auxiliares, não substitutos da atenção humana. Um motorista consciente sabe que o carro pode alertá-lo, mas a decisão final de frear, desviar ou reduzir a velocidade é sempre sua. A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta para ampliar a percepção, não para substituí-la.

O que fazer para evitar o excesso de confiança

Para reduzir os riscos, é fundamental que os motoristas adotem uma postura mais crítica em relação às suas habilidades e aos recursos do veículo. Algumas práticas podem ajudar:

  • Conhecer profundamente o manual do carro e os limites dos sistemas ADAS;
  • Manter os olhos na via e as mãos no volante, mesmo com assistências ativas;
  • Participar de cursos de direção defensiva, que ensinam a antecipar riscos e agir corretamente.

Além disso, é importante respeitar os limites de velocidade e as condições da rodovia, lembrando que a tecnologia não elimina a física. Um carro com freios ABS e controle de estabilidade ainda precisa de distância para parar em pista molhada. A confiança deve vir do treinamento e da experiência, não da ilusão de que o carro faz tudo sozinho.

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