Um novo marco na aviação sustentável foi alcançado: o voo mais longo de uma aeronave híbrida, com duração superior a duas horas, cruzou o Atlântico entre os Estados Unidos e o Reino Unido. O feito representa um avanço significativo para a tecnologia, que promete reduzir emissões e consumo de combustível. Mas como funciona exatamente esse avião híbrido de passageiros? A seguir, explicamos os princípios, os testes e os desafios dessa inovação.
Princípio de funcionamento similar ao de automóveis
O princípio de funcionamento de um avião híbrido é o mesmo de um automóvel. Assim como nos carros híbridos, a aeronave combina um motor a combustão tradicional com um sistema elétrico. Além do motor a combustão, há um conjunto de máquina elétrica e inversor, além de uma bateria para armazenar energia elétrica. Dessa forma, essa configuração permite que o motor elétrico auxilie o motor a combustão em momentos de maior demanda, como na decolagem e na subida, ou atue como gerador para recarregar as baterias.
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Motor elétrico usado apenas em combinação
Na aviação, o motor elétrico é usado praticamente apenas combinado com a propulsão a combustão. Diferentemente de um veículo elétrico puro, não há autonomia elétrica. Ou seja, a aeronave não pode voar exclusivamente com energia elétrica por longos períodos. O sistema elétrico atua como complemento, otimizando o desempenho e a eficiência. Quando o avião está em velocidade de cruzeiro ou em fase de descida, o motor elétrico opera como gerador para carregar as baterias, aproveitando a energia que seria desperdiçada.
Testes durante travessia do Atlântico
Os testes durante a travessia do Atlântico incluíram acionamento do sistema elétrico na subida e recarga das baterias na descida. Essa estratégia permite reduzir o consumo de combustível nos momentos de maior esforço do motor a combustão. Durante os testes de voo, o sistema de propulsão elétrica acionou com sucesso a hélice e gerou energia para a bateria, validando a tecnologia em condições reais de operação. A GE Aerospace, responsável pelo sistema, explica que sistemas híbridos são compatíveis com diferentes tipos de combustível, como gás e querosene de aviação, o que facilita a transição para fontes mais limpas.
Desafios para aplicação comercial futura
Apesar dos avanços, ainda há obstáculos a superar. O gerenciamento térmico e as pressões atmosféricas mais baixas ainda são desafios para aplicação comercial futura. As baterias e os componentes elétricos precisam operar em altitudes elevadas, onde a dissipação de calor é mais difícil. Além disso, a densidade energética das baterias atuais limita a autonomia elétrica, exigindo soluções de engenharia para integrar os sistemas sem comprometer a segurança e o peso da aeronave.
Projetos em andamento: Airbus Ecopulse
A Airbus trabalha no projeto Ecopulse, em colaboração com Daher e Safran. A Airbus avalia sistemas híbridos paralelo e em série, exatamente como em automóveis. No híbrido em série, a hélice é sempre acionada por um motor elétrico. Nessa configuração, o gerador precisa ser maior e mais pesado para converter energia mecânica em elétrica, o que pode impactar o peso total da aeronave. Já na arquitetura paralela, a turbina recebe auxílio de um motor elétrico menor e mais leve para usos específicos, como subida. A arquitetura paralela é exatamente como a da GE Aerospace, que já realizou os testes de voo bem-sucedidos.
Perspectivas e próximos passos
Com os resultados promissores dos testes, a aviação híbrida caminha para se tornar uma realidade nos próximos anos. A combinação de motores a combustão e elétricos pode reduzir significativamente as emissões de CO2 e o consumo de combustível, especialmente em voos regionais. No entanto, a fonte não detalhou prazos para certificação ou entrada em serviço comercial. O que se sabe é que empresas como GE Aerospace e Airbus continuam investindo em pesquisa e desenvolvimento para superar os desafios técnicos e viabilizar a tecnologia em larga escala.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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