O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta semana, traz um alerta sobre o perfil da violência no trânsito brasileiro. O relatório aponta que os motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito no país. O documento trata o trânsito como uma das principais frentes da violência letal no Brasil.
Motociclistas: perfil das vítimas
Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou um aumento de 38% nas mortes em sinistros envolvendo motocicletas. O salto de 11.182 para 15.459 mortes evidencia uma mudança importante no perfil da violência no trânsito brasileiro. Trabalhadores ligados à economia de aplicativos estão entre os grupos mais expostos ao risco letal no cotidiano urbano.
A moto se tornou alternativa de deslocamento e ferramenta de trabalho devido ao menor custo de aquisição e manutenção em comparação ao automóvel. Para os pesquisadores, a motocicleta se consolidou como principal meio de transporte e instrumento de sobrevivência econômica em diversas regiões do país.
Fatores que explicam o aumento
O documento destaca que o aumento das mortes no trânsito está diretamente ligado às transformações econômicas e urbanas dos últimos anos. Os pesquisadores apontam que a dinâmica econômica atual contribuiu para ampliar a vulnerabilidade dos motociclistas nas cidades brasileiras. Fatores como infraestrutura precária, fiscalização insuficiente, crescimento acelerado da frota e fragilidade da mobilidade urbana ajudam a explicar o avanço das mortes.
Regiões mais críticas
As regiões Norte e Nordeste concentram os cenários mais preocupantes relacionados às mortes de motociclistas. No Piauí, em 2024, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas no estado. Esse dado ilustra a gravidade da situação em áreas onde a moto é o principal meio de transporte.
Especialista: questão de saúde pública
Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, afirma que quando o trânsito mata nessa escala, ele deixa de ser apenas um problema viário e passa a ser uma questão de saúde pública, trabalho e segurança. Para Celso Mariano, a discussão precisa ir além da punição e focar prevenção, educação e escolhas seguras. Ele avalia que os ambientes viários precisam ser mais tolerantes aos erros humanos.
Políticas públicas necessárias
O Atlas da Violência 2026 reforça que o enfrentamento da mortalidade no trânsito exige políticas públicas mais amplas e integradas. A fonte não detalhou quais medidas específicas seriam prioritárias, mas o relatório sinaliza a necessidade de ações coordenadas entre diferentes esferas governamentais.
