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Entidades médicas criticam CNH sem exame de aptidão


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Entidades médicas criticam CNH sem exame de aptidão

Mais de 35 entidades médicas brasileiras manifestaram preocupação com a Medida Provisória que permite a renovação automática da CNH sem exame de aptidão física e mental. Elas alertam que a mudança pode comprometer a prevenção de mortes no trânsito, que em 2024 custaram R$ 400 milhões ao SUS. O Congresso instalou uma comissão especial para analisar a proposta.

Comissão especial analisa MP da CNH

O Congresso Nacional instalou nesta semana uma comissão especial para analisar a Medida Provisória nº 1.327/2025. A proposta prevê a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação sem a realização do exame de aptidão física e mental.

Publicada em 10 de dezembro de 2025, a medida já enfrenta resistência de mais de 35 entidades médicas. Elas alertam para riscos à segurança viária.

O debate coloca em foco a busca por agilidade nos serviços públicos contra a necessidade de avaliar a capacidade dos condutores.

O que diz a Medida Provisória

Mudanças no Código de Trânsito

A Medida Provisória altera regras do Código de Trânsito Brasileiro. As principais mudanças incluem:

  • Modificação da validade da CNH
  • Alteração da forma de realização de exames para obtenção e renovação da habilitação
  • Possibilidade de emissão do documento em formato físico ou digital
  • Fixação de valores máximos dos exames, o que pode impactar o custo para os motoristas

A proposta busca simplificar processos, mas especialistas questionam seus efeitos práticos.

Regras para renovação automática

De acordo com o texto, motoristas sem infrações registradas no Registro Nacional de Pontuação da Carteira de Habilitação terão renovação automática da CNH. Isso dispensará novos exames.

No entanto, existem exceções importantes:

  • Condutores com 50 anos ou mais terão direito a apenas uma renovação automática
  • Após essa renovação, precisarão passar por avaliação médica
  • Quem tem restrições médicas previstas no Código de Trânsito não poderá se beneficiar da renovação simplificada

Essas nuances mostram que a medida não é aplicável a todos os perfis de condutores.

Críticas das entidades médicas

Manifesto conjunto contra a medida

Mais de 35 entidades médicas brasileiras divulgaram um manifesto alertando sobre os riscos da proposta. Elas defendem que a retirada da exigência do exame compromete a capacidade do país de prevenir mortes no trânsito.

As entidades argumentam que o exame de aptidão física e mental, realizado pelo médico do tráfego, é atualmente o único instrumento capaz de identificar riscos clínicos.

Entidades signatárias

As organizações que assinam o manifesto incluem:

  • Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)
  • Conselho Federal de Medicina
  • Conselhos regionais de medicina
  • Associação Médica Brasileira
  • Federação Nacional dos Médicos
  • Federação Médica Brasileira
  • Instituto Brasil de Medicina

O posicionamento conjunto reforça a preocupação com a segurança viária, baseada em dados recentes sobre acidentes. A fonte não detalhou se há planos para apresentar emendas ou buscar diálogo com o governo sobre o tema.

Números preocupantes do trânsito brasileiro

Estatísticas de 2024

Em 2024, o Brasil registrou números alarmantes no trânsito:

  • 38.253 mortes
  • Quase 285 mil internações hospitalares
  • Custo direto de aproximadamente R$ 400 milhões para o Sistema Único de Saúde

Os números não incluem despesas de longo prazo com reabilitação e benefícios previdenciários. Isso sugere que o impacto financeiro total é ainda maior.

Risco de retrocesso na prevenção

Diante desse cenário, a retirada do exame de aptidão é vista como um retrocesso na prevenção de acidentes. As entidades alertam que condições de saúde não detectadas podem contribuir para novos incidentes.

Isso aumentaria a pressão sobre o sistema de saúde. A discussão ocorre em um contexto de busca por eficiência, mas os especialistas defendem que a segurança não pode ser negligenciada.

A análise da comissão do Congresso será crucial para equilibrar esses aspectos.

Composição da comissão especial

Liderança da análise

A comissão mista que analisará a Medida Provisória tem a seguinte composição:

  • Presidente: deputado federal Luciano Amaral (PSD-AL)
  • Vice-presidente: senador Dr. Hiran (PP-RR)
  • Relator: senador Renan Filho (MDB-AL)

O relator é responsável por elaborar um parecer sobre a proposta. A instalação do grupo marca o início da tramitação legislativa da medida, que precisa ser votada em um prazo determinado.

Contexto regulatório

Enquanto isso, o Conselho Nacional de Trânsito aprovou uma resolução no final do ano passado com outras mudanças na CNH. Isso mostra que o tema está em constante evolução.

A comissão terá a tarefa de avaliar os impactos da renovação automática. Deverá considerar tanto argumentos de praticidade quanto de segurança.

O resultado dessa discussão poderá influenciar políticas públicas para os próximos anos. A sociedade aguarda com atenção os desdobramentos do debate.

Próximos passos da discussão

Processo legislativo

A comissão especial deverá analisar a Medida Provisória e pode sugerir modificações antes da votação no plenário. O relator terá papel central na construção de um texto que equilibre as diferentes visões sobre o tema.

As entidades médicas esperam que seus alertas sejam considerados. O objetivo é evitar um possível aumento nos índices de acidentes.

Conflito entre modernização e segurança

A discussão reflete um conflito entre modernização administrativa e preservação de salvaguardas em áreas sensíveis. Enquanto a tramitação segue, motoristas e profissionais de saúde acompanham os desdobramentos.

A decisão final poderá afetar milhões de condutores em todo o país. Também impactará a rotina dos serviços de trânsito.

A expectativa é que o Congresso leve em conta tanto a praticidade para o cidadão quanto a necessidade de manter padrões de segurança. O tema deve permanecer em pauta nas próximas semanas, à medida que a comissão avança em seus trabalhos.

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