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Mortes no trânsito no Brasil: impunidade une esquerda e direita


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Mortes no trânsito no Brasil: impunidade une esquerda e direita
Crédito: estradas.com.br

Crise de saúde pública ignorada

Mais de 37 mil mortes no trânsito não foram prioridade nos programas de governo dos candidatos à Presidência da República, especialmente dos dois finalistas. A ausência do tema nas propostas eleitorais revela um descaso que atravessa o espectro político.

Enquanto isso, a invalidez de mais de 200 mil brasileiros e o drama vivido por suas famílias também não receberam a devida atenção. Os números, por si só, já dimensionam uma crise de saúde pública que segue sem resposta à altura.

Tragédia na BR-373 expõe falhas

Horas depois da eleição, uma tragédia na BR-373, no Paraná, reforçou a urgência do problema. Um casal e três crianças, incluindo dois bebês gêmeos de apenas 10 meses, perderam a vida em uma colisão frontal.

O condutor da caminhonete envolvida no acidente, um jovem de 18 anos, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal. Ele não possuía habilitação e estava embriagado. A sequência de irregularidades mostra como a combinação de imprudência e falta de fiscalização pode ser letal.

Impacto em comunidade rural

As vítimas eram moradores do Assentamento Santa Clara, no município de Candói (PR). O assentamento nasceu de uma política pública de reforma agrária, com desapropriação formalizada em 1998 e implantação em 1999.

Trata-se de uma pequena comunidade rural concebida para aproximadamente 25 famílias. A perda de cinco vidas em um único acidente abala profundamente uma localidade tão reduzida, evidenciando o impacto social desproporcional da violência no trânsito.

Omissão política de ambos os lados

No campo político, a omissão não é exclusiva de um lado. Em seu discurso de vitória, Lula defendeu a regulamentação das mídias sociais, afirmando: “Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real.”

A fala, porém, contrasta com a ausência de medidas concretas para enfrentar a apologia a infrações de trânsito nas redes. A declaração sugere uma preocupação com o ambiente digital, mas não se traduziu em ações específicas para coibir a divulgação de condutas perigosas ao volante.

Vetos e convergência de interesses

No governo anterior, os vetos de Jair Bolsonaro ao PL130/20, que buscava combater a divulgação de crimes e infrações de trânsito nas redes sociais, contribuíram para a manutenção desse cenário de impunidade. Os vetos foram mantidos com o apoio de parlamentares petistas.

A convergência entre forças políticas opostas na preservação de um vácuo legal chama a atenção: enquanto disputam narrativas, ambas as correntes deixam de lado a proteção à vida no trânsito.

Ambiente digital permissivo e monetização

O resultado dessa inação é um ambiente digital permissivo. O criminoso do trânsito e celebridade virtual registra mais de 450 milhões de visualizações. A monetização de conteúdos que exaltam manobras perigosas e desrespeito às leis de trânsito segue sem freios.

No governo atual, a Senatran não adotou medidas para enfrentar a divulgação e a monetização dessas práticas. A ausência de regulação permite que a irresponsabilidade seja transformada em espetáculo e lucro, enquanto as estatísticas de mortes continuam a crescer.

Conclusão: impunidade como ponto de encontro

A tragédia na BR-373 não é um caso isolado, mas o sintoma de um sistema que falha em prevenir, punir e educar. A prisão do condutor sem habilitação e embriagado não devolve as vidas perdidas, nem repara o sofrimento das famílias.

A comoção momentânea logo dá lugar ao esquecimento, e o ciclo se repete. Sem uma política pública consistente, que una fiscalização rigorosa, educação para o trânsito e responsabilização efetiva, o Brasil continuará a contabilizar perdas evitáveis.

A impunidade no trânsito une forças políticas opostas, como mostram os vetos e a inércia regulatória. Enquanto os holofotes se voltam para disputas ideológicas, milhares de vidas são ceifadas anualmente.

Esses três fatores — falta de prioridade, vetos e inércia digital — explicam a persistência da tragédia. Você pode cobrar de seu candidato a inclusão de metas de redução de mortes no trânsito no plano de governo.

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