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Fiat Argo X repete estratégia de Uno, Palio e 147 no Brasil


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Fiat Argo X repete estratégia de Uno, Palio e 147 no Brasil
Crédito: autoesporte.globo.com

A Fiat confirmou que o novo Argo X conviverá com a geração atual do hatch, repetindo uma estratégia de mercado que a marca utiliza no Brasil desde os anos 1980. O presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, afirmou durante o anúncio oficial que a atual geração do Argo, lançada em 2017, continuará no mercado “pelo tempo que os consumidores determinarem”. Enquanto existir demanda pelo hatch, ele continuará sendo produzido em Betim (MG) e conviverá com sua nova geração.

Estratégia histórica da Fiat

A Fiat aplica no Brasil desde a década de 1980 a tática de um carro compacto nunca sair de linha para dar lugar a outro logo no princípio. Em 1984, durante o lançamento do Uno, a Fiat teve a oportunidade de tirar o 147 de linha. A marca optou por sustentar a produção de ambos para medir a aceitação do mercado. O Fiat 147 só deixaria de ser produzido em dezembro de 1986. Os hatches Uno e 147 coexistiram por mais de dois anos.

No início dos anos 90, o Uno era o carro mais vendido da marca italiana, embora ainda não ameaçasse o reinado do Volkswagen Gol. A Fiat começou a desenvolver o substituto do Uno, que seria o Palio, lançado em 1996. Depois do facelift de 2001, o Palio foi atualizado em 2004 (G2), 2008 (G3) e 2010 (G4). Em 2011 foi apresentado o modelo que representava a segunda geração do Palio, com plataforma inédita e carroceria totalmente redesenhada. A chegada do modelo de segunda geração do Palio não declarou o fim do hatch anterior, que persistiu até 2016.

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Único desvio na trajetória

O único desvio na estratégia histórica ocorreu com a segunda geração do Palio. Quando o Argo foi apresentado em maio de 2017, a Fiat esperou só alguns meses até tirar o Palio de linha em fevereiro de 2018. Argo e o Palio da segunda geração coexistiram por menos de um ano. Agora, com o Argo X, a montadora retoma a prática de manter duas gerações simultâneas.

Investimento e produção

A confirmação da produção da nova geração é um desdobramento do investimento de R$ 14 bilhões feito pela marca italiana na fábrica mineira em 2024. O montante de R$ 14 bilhões será consumido pela Stellantis até meados de 2030. Baseado no Grande Panda europeu, as dimensões do novo Argo X devem ser: 3,99 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,57 de altura e 2,54 m de entre-eixos. A Stellantis anunciou no fim do ano passado o plano de lançar um carro novo por ano no Brasil até 2030.

Após a chegada do Argo X, o hatch mais antigo deve ter a maior parte das vendas concentradas em empresas como locadoras e grandes frotistas. A estratégia permite à Fiat atender diferentes perfis de consumidores: quem busca um carro mais moderno e tecnológico pode optar pelo Argo X, enquanto frotistas e compradores com orçamento mais enxuto continuarão tendo acesso ao modelo atual, com preço mais competitivo. A convivência entre as gerações também ajuda a marca a manter volume de produção em Betim, garantindo empregos e otimizando a linha de montagem.

A decisão de manter o Argo atual em linha não é apenas uma questão de demanda, mas também de planejamento industrial. Com o investimento bilionário, a fábrica mineira ganha capacidade para produzir simultaneamente diferentes plataformas. O novo Argo X, baseado no Grande Panda europeu, traz dimensões compactas e deve competir no segmento de hatches médios, enquanto o modelo anterior continuará atendendo o mercado de entrada. A Fiat não divulgou previsão de vendas ou data exata de lançamento do Argo X, mas a expectativa é que o modelo chegue às concessionárias nos próximos meses.

A estratégia de manter duas gerações de um mesmo modelo não é exclusiva da Fiat, mas a marca italiana a utiliza de forma consistente no Brasil. Com o Argo X, a montadora aposta na continuidade de uma fórmula que já deu certo com Uno, Palio e 147: oferecer um carro moderno sem abandonar o antecessor, conquistando diferentes fatias do mercado. Resta saber se o consumidor brasileiro responderá como nas décadas anteriores, garantindo longa vida ao hatch que já está há sete anos em produção.

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