Queda global, mas desigual
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta semana, durante a reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre segurança viária, que as mortes no trânsito caíram 21% no mundo entre 2010 e 2025. O número passou de aproximadamente 1,26 milhão para cerca de 1,16 milhão de óbitos anuais. Embora o dado represente um avanço significativo, a OMS alerta que o desafio está longe do fim, especialmente em regiões onde as fatalidades aumentaram ou estagnaram.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os resultados mostram que políticas públicas voltadas à segurança no trânsito produzem efeitos concretos. No entanto, ele ressaltou que o progresso é insuficiente para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que prevê reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030. A organização destaca que ainda há um longo caminho a percorrer.
Europa lidera, África preocupa
Os dados regionais revelam disparidades marcantes. A Região Europeia registrou a maior redução nas mortes no trânsito, com queda de 36% no período analisado. Já a região do Pacífico Ocidental reduziu os óbitos em 15%. Em contraste, o Sudeste Asiático apresentou diminuição de apenas 2%, um avanço tímido diante do crescimento da frota de veículos.
Nas Américas, a OMS afirma que não houve redução significativa no número de mortes no período analisado. A situação é ainda mais crítica na Região Africana, que registrou aumento de 17% nas fatalidades no trânsito. Esses números refletem desafios estruturais, como infraestrutura precária, fiscalização insuficiente e crescimento desordenado da mobilidade motorizada.
Vítimas vulneráveis em foco
Um dos achados mais preocupantes do relatório é que mais da metade das vítimas fatais não estava dentro de um automóvel. Pedestres, ciclistas e motociclistas concentram uma parcela expressiva dos óbitos registrados em todo o mundo. Esse perfil evidencia a necessidade de políticas que protejam os usuários mais vulneráveis das vias.
O número de motocicletas mais que triplicou entre 2011 e 2025, impulsionado pelo crescimento econômico e pela urbanização em países de baixa e média renda. Como consequência, os motociclistas representam quase um terço das mortes no trânsito em escala global. A OMS destaca que medidas como uso obrigatório de capacetes, melhoria da iluminação pública e campanhas educativas podem reduzir esses índices.
Compromisso renovado na ONU
Durante a Assembleia Geral da ONU, os países-membros aprovaram uma nova declaração voltada à segurança viária. O documento reforça o compromisso com a Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2021-2030) e estabelece metas mais ambiciosas para os próximos anos. Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, participou das discussões e enfatizou a importância de integrar a segurança viária às políticas de saúde pública.
A OMS ressalta que ainda há um longo caminho para atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A organização recomenda que os países invistam em infraestrutura segura, limites de velocidade adequados, fiscalização do uso de álcool ao volante e proteção de pedestres e ciclistas. Sem ações coordenadas, o progresso global pode continuar desigual, deixando milhões de vidas em risco.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- OMS (www.paho.org)
