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Atlas da Violência relaciona mortes no trânsito a aplicativos


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Atlas da Violência relaciona mortes no trânsito a aplicativos
Crédito: www.portaldotransito.com.br

O Atlas da Violência 2024, divulgado nesta semana, aponta uma relação entre o aumento de mortes no trânsito e a precarização do trabalho por aplicativos. O relatório mostra que a dinâmica da mobilidade urbana brasileira mudou profundamente nos últimos anos, com a motocicleta assumindo papel central tanto no deslocamento quanto na geração de renda, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Mudança no perfil da mobilidade

O estudo chama atenção para fatores que passaram a fazer parte da rotina de muitos motociclistas. Entre eles, a necessidade de realizar maior número de corridas e a circulação constante em ambientes urbanos de alto risco. Embora o Atlas não responsabilize diretamente os aplicativos pelas mortes, o documento aponta que a lógica de produtividade e a precarização das relações de trabalho alteraram o perfil da mortalidade viária brasileira.

Para especialistas em trânsito, os números mostram que a discussão sobre segurança de motociclistas precisa ultrapassar a ideia de imprudência individual. A precarização do trabalho por aplicativos impõe jornadas exaustivas e pressão por entregas rápidas, o que aumenta a exposição ao risco.

Norte e Nordeste concentram cenários críticos

O Atlas da Violência aponta que as regiões Norte e Nordeste concentram alguns dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é mortalidade de motociclistas. No Piauí, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas em 2024, índice muito acima da média nacional.

O estudo relaciona esse cenário ao crescimento do uso da motocicleta como principal ferramenta de trabalho e mobilidade em estados com menor cobertura de transporte público e maior presença da informalidade. A falta de alternativas de transporte coletivo de qualidade força muitos trabalhadores a adotar a moto como meio de sustento.

Políticas públicas integradas são necessárias

O relatório também reforça que o enfrentamento da violência no trânsito exige políticas públicas integradas. A discussão envolve educação, infraestrutura segura, planejamento urbano, fiscalização e condições de trabalho. O especialista também chama atenção para a necessidade de qualificação permanente dos condutores profissionais.

Além disso, o especialista destaca os impactos das recentes flexibilizações regulatórias no processo de formação de condutores. “Quando a moto vira instrumento de sustento, a formação deixa de ser apenas uma exigência burocrática. Ela passa a ser ferramenta de proteção à vida”, conclui.

O Atlas da Violência, portanto, não apenas expõe números alarmantes, mas também convida a uma reflexão sobre as condições de trabalho e a segurança viária no Brasil. A fonte não detalhou as medidas específicas que serão adotadas, mas o documento serve como alerta para a urgência de ações coordenadas.

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