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Infraestrutura pesa mais que imprudência nas mortes em rodovias em 2025


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Infraestrutura pesa mais que imprudência nas mortes em rodovias em 2025
Crédito: www.portaldotransito.com.br

Pistas simples concentram maioria das mortes

Em 2025, as rodovias federais brasileiras registraram 6.043 mortes, uma redução em relação às 6.160 de 2024. Os sinistros também caíram, passando de 73.156 para 72.529 no mesmo período. No entanto, a distribuição dos óbitos revela um padrão preocupante: as pistas simples foram responsáveis por 4.143 mortes, enquanto as pistas duplas concentraram 1.603 óbitos.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) associa a alta mortalidade das pistas simples às colisões frontais, que ocorrem com frequência nesse tipo de via. A falta de separação física entre as pistas aumenta o risco de choques frontais, muitas vezes fatais.

O número de mortes em pistas simples representa mais do que o dobro do registrado em pistas duplas, evidenciando a vulnerabilidade dessas vias. A fonte não detalhou a extensão total da malha viária de cada tipo, mas os dados indicam que a infraestrutura é um fator crítico.

Fiscalização intensa, mas infraestrutura falha

O anuário da PRF mostra que a fiscalização permaneceu intensa em 2025. Foram mais de 10 milhões de pessoas fiscalizadas e quase 10 milhões de veículos abordados em rodovias federais. O excesso de velocidade gerou mais de 7,2 milhões de autuações, e a PRF registrou quase 195 mil ultrapassagens em faixa contínua.

Apesar do esforço de fiscalização, os números de mortes ainda são elevados. Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, afirma: “Quando analisamos os dados das pistas simples, percebemos claramente que o erro humano continua existindo, mas a infraestrutura muitas vezes define o tamanho da tragédia.”

Para Mariano, a abordagem precisa ir além da punição. “Mais do que cumprir regras, o trânsito exige compreensão de risco e responsabilidade coletiva”, completa.

Saídas de pista e colisões traseiras em alta

Em 2025, a PRF registrou mais de 10 mil saídas de pista, um tipo de sinistro frequentemente associado a falhas na sinalização ou no leito da via. Foram também 14.360 colisões traseiras, muitas vezes causadas por falta de distanciamento seguro ou condições precárias da pista.

As rodovias com maior número de ocorrências foram a BR-101, com 13.014 casos, e a BR-116, com 11.021. Essas vias, que cortam diversos estados, concentram grande parte do tráfego e apresentam trechos com infraestrutura deficiente.

Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná somaram 1.792 mortes em rodovias federais, indicando que a concentração de óbitos não se limita a uma região específica.

Sistema Seguro como alternativa

Países que conseguiram reduzir de forma consistente as mortes no trânsito passaram a investir em conceitos de “Sistema Seguro”. Essa abordagem considera que o erro humano é inevitável, mas o sistema viário deve ser projetado para minimizar as consequências.

No Brasil, a predominância de pistas simples e a falta de dispositivos de segurança, como barreiras de concreto e defensas adequadas, contribuem para a gravidade dos acidentes. A PRF, por meio de seus dados, reforça a necessidade de melhorias na infraestrutura como complemento à fiscalização.

Os números de 2025 mostram que, embora a fiscalização seja intensa, a infraestrutura ainda pesa mais do que a imprudência nas mortes em rodovias. A redução de 117 óbitos em relação a 2024 é um avanço, mas o total de 6.043 mortes ainda é alarmante.

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