Em dezembro de 1997, a revista Autoesporte 391 publicou um comparativo que colocou frente a frente dois hatches médios de sucesso no mercado brasileiro: o Volkswagen Gol GLS e o Peugeot 306 XR. Ambos representavam o que havia de mais moderno em suas respectivas categorias, cada um com propostas distintas de design, conforto e tecnologia. O embate revelou não apenas as características de cada modelo, mas também as tendências do setor automotivo naquele final de década.
Design e estilo: dois caminhos diferentes
O Volkswagen Gol GLS passou por uma reestilização que buscou modernizar suas linhas. A adição das duas portas trouxe um ar renovado às formas robustas e “pesadas” do Gol, conforme apontou a reportagem. O departamento de estilo responsável pela nova carroceria chegou a um resultado que aliou bom gosto à simplicidade. Com a introdução de duas pequenas janelas laterais junto às colunas traseiras, evitou-se que estas ficassem exageradamente largas como no VW Golf. A versão de cinco portas parece maior, e os vãos de abertura das portas, mesmo menores, permitem acesso fácil para os ocupantes.
No Gol GLS, a aparência esportiva foi realçada utilizando-se ponteira do cano de escapamento de aço inoxidável e diâmetro maior, para-choques, grade dianteira, frisos e espelhos todos da cor do veículo. Rodas de alumínio de 14 polegadas, faróis de neblina, lanternas dianteiras brancas e traseiras fumê completam a “vestimenta jovem” deste Gol. Já o Peugeot 306 XR, com seu design mais fluido e linhas arredondadas, apostava em um visual mais europeu, contrastando com a proposta mais sóbria do Gol.
Equipamentos e conforto a bordo
O Gol GLS oferecia uma série de itens de série e opcionais que aumentavam o conforto e a segurança. Na lista de opcionais, o consumidor encontrava rodas de alumínio, ar-condicionado, alarme com comando a distância, CD player, freios com ABS e, em breve, até dois airbags. A novidade era a abertura da tampa traseira à distância, usando o mesmo sensor do alarme. Os instrumentos do GLS têm fundo branco, como no GTI, com as seis funções do computador de bordo apresentadas num display de cristal líquido dentro do mostrador do conta-giros.
Há pontos positivos nos dois modelos, como encostos rebatíveis 1/3-2/3 e vidros das portas traseiras que descem totalmente. No Gol, uma boa solução para o cinzeiro de trás copia um conceito de mobilidade já utilizado no Fiat Uno: encaixável no porta-objetos das portas, ele pode ser indistintamente usado por fumantes de ambos os lados. No Peugeot, a fixação externa do estepe é tradicionalmente francesa e torna maior o volume do porta-malas.
Suspensão e comportamento dinâmico
A suspensão dianteira nos dois é McPherson, mas na traseira os conceitos são totalmente diferentes. Enquanto o Gol adotava um eixo de torção, o Peugeot utilizava um sistema multi-link, que proporcionava melhor dirigibilidade e conforto. Essa diferença refletia as filosofias de cada montadora: a Volkswagen buscava robustez e simplicidade, enquanto a Peugeot priorizava o comportamento dinâmico.
Contexto histórico e legado
O comparativo de 1997 ocorreu em um momento de grande concorrência no segmento de hatches médios. Modelos como o Ford Corcel, que foi carro inovador e deu origem a Del Rey, Belina e Pampa, já haviam aberto caminho para novos projetos. O Chevrolet Corsa Sedan GLS deu um banho em Fiat Prêmio e VW Voyage, mostrando a evolução dos projetos nacionais. Nesse cenário, o Gol GLS e o Peugeot 306 XR representavam duas visões distintas de mobilidade: uma mais conservadora e outra mais ousada.
A matéria original da Autoesporte destacou que ambos os modelos tinham seus méritos, mas a escolha dependia do perfil do comprador. O Gol GLS agradava quem buscava um carro com visual esportivo e bom custo-benefício, enquanto o Peugeot 306 XR conquistava os que valorizavam design e comportamento dinâmico. O legado desse comparativo permanece como um registro das tendências automotivas do final dos anos 1990.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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