Origem da polêmica
Em agosto de 1990, beneficiando-se de decisão governamental de reduzir o IPI para veículos de até 1.000 cm³, a Fiat propiciou uma reviravolta em nosso mercado lançando o Uno Mille. O modelo logo se tornou um sucesso por ser o carro mais barato vendido no Brasil, além de um dos mais econômicos em consumo de combustível.
Os concorrentes não puderam reagir de imediato, visto não terem em suas linhas de produção um motor desta cilindrada. A Fiat exportava esse motor para a Europa no próprio Uno, daí sua rapidez em colocá-lo à venda. Surgiram informações sobre um futuro Chevette Junior, também com motor mil, e um Gol 1000, mas que deveriam surgir somente daqui a mais de um ano, no final de 1992.
Enquanto isso, a Autolatina, controladora da Volkswagen, reagiu com um comunicado oficial sugerindo que o benefício deveria ser dado a veículos que realmente economizassem combustível, como o Volkswagen Gol CL, e não simplesmente aos que tivessem uma cilindrada menor. Esse comunicado ia além, sugerindo também que motores pequenos criavam problemas de segurança, por seu baixo desempenho.
Teste comparativo
Para desfazer essa dúvida, Autoesporte resolveu colocar cara a cara os dois pivôs da questão em um teste comparativo. Eles rodaram simultaneamente, revezando os motoristas para eliminar possíveis distorções de trânsito ou maneiras de dirigir. Aproveitamos ainda para colocar o mais novo lançamento da Fiat em teste: uma série especial do Mille, a Brio, que, por sua maior potência sem mudar a cilindrada, tem desempenho melhor e deverá ser a única a permanecer em linha a partir do ano que vem, em função do uso do catalisador – que diminui a poluição mas rouba um pouco de potência.
O desempenho dos dois carros, muito bem acertados pelas duas fábricas, acabou surpreendendo. O Brio, em relação ao Mille comum testado anteriormente, ganhou mais agilidade na cidade, consegue manter velocidade média mais alta em estrada e melhorou nas retomadas.
Resultados de consumo
Estes resultados práticos comprovam os obtidos no teste de consumo a velocidade constantes em 5ª marcha, em que o Brio levou boa vantagem, só diminuída a 100 km/h. Essas marcas, além do menor peso do Brio (795 kg contra 915 kg do Gol) e sua melhor aerodinâmica, se devem também aos melhoramentos feitos no motor.
O uso de carburador de duplo corpo, taxa de compressão aumentada de 8,5:1 para 8,6:1, nova curva de avanço do distribuidor (mecânico) e novo comando de válvulas aumentaram a potência de 48,5 cv a 5.700 rpm para 54,4 cv a 5.750 rpm, incrementando a relação de 18,86 kg/cv, no Mille, para 14,61 kg/cv no Brio. Apesar do valor não ter mudado muito (de 7,4 para 7,7 mkgf), o torque máximo no Brio chega às 2.750 rpm contra 3.000 do Mille comum, permitindo maior elasticidade e menos reduções de marcha, com melhora no consumo de combustível.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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