Sem carregador em casa, um híbrido convencional (HEV) pode ser a única opção eletrificada viável para quem roda em cidade. A ausência de infraestrutura de recarga residencial pode inviabilizar a rotina com um veículo 100% elétrico, abrindo espaço para os híbridos que não precisam ser conectados à tomada. É aí que entram os híbridos convencionais e leves.
Fábio Delatore, professor da pós-graduação em veículos elétricos do Instituto Mauá de Tecnologia, destaca que a discussão sobre a eletrificação deve ir além de uma comparação simples do gasto por quilômetro. Para ele, a resposta não começa no custo por quilômetro rodado, mas na descarbonização na fonte. O menor consumo de combustível é consequência direta da física do sistema, não a premissa isolada.
O que define um carro elétrico puro
No caso de um veículo 100% elétrico, conhecido pela sigla BEV (Battery Electric Vehicle), a energia que movimenta o carro vem das baterias. É necessário conectar o veículo 100% elétrico a uma fonte externa para recarregar as baterias. Essa dependência da tomada é o ponto central da análise para quem não tem onde plugar o carro.
Quem consegue recarregar durante a noite na própria garagem tende a incorporar a recarga à rotina com mais facilidade. Sem a possibilidade de recarga na garagem, o motorista passa a depender da infraestrutura disponível fora de casa. Se você roda menos de 50 km por dia e há carregadores rápidos no trabalho ou no shopping, um elétrico pode ser viável; caso contrário, um HEV é mais prático.
Híbridos sem tomada entram no jogo
Os híbridos convencionais são uma possibilidade para quem busca algum nível de eletrificação sem depender de tomadas. Entre as tecnologias disponíveis estão os MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle), também chamados de híbridos leves, e os HEV (Hybrid Electric Vehicle), ou híbridos convencionais. Cada um oferece um grau diferente de assistência elétrica e de independência da recarga externa.
Nos híbridos leves, o sistema elétrico auxilia o motor a combustão em determinadas situações, reduzindo sua carga de trabalho. Em geral, o motor elétrico não é responsável sozinho pela tração do veículo nos híbridos leves. O MHEV (híbrido leve) apenas desonera o motor térmico em momentos pontuais.
HEV: a tração elétrica sem plugue
Um HEV dispõe de uma arquitetura capaz de movimentar o carro apenas com eletricidade em determinadas condições. A bateria de um HEV é abastecida pelo próprio funcionamento do sistema, inclusive por meio da recuperação de energia nas desacelerações e frenagens, sem necessidade de conexão à tomada. Isso confere ao HEV uma autonomia energética que o MHEV não possui.
O HEV pode mover o carro apenas com eletricidade em baixas velocidades, eliminando emissões no anda-e-para do trânsito. Essa característica o torna especialmente interessante para quem enfrenta congestionamentos diários e busca reduzir emissões sem depender de infraestrutura de recarga. A ausência da necessidade de recarga externa pode fazer diferença para determinados perfis de motorista.
Perfil de quem não tem carregador
Quem não tem carregador precisa de um sistema que gere e recupere a própria energia, colocando o HEV à frente do MHEV na viabilidade diária. Enquanto o híbrido leve apenas auxilia o motor a combustão, o HEV pode efetivamente mover o veículo em modo elétrico, ainda que por curtos períodos. Essa diferença prática se reflete na experiência de uso e na redução do consumo em ambientes urbanos.
Para o motorista que mora em apartamento ou não possui garagem com tomada, o HEV surge como uma alternativa que combina eletrificação e conveniência. Segundo a ABVE, um HEV pode reduzir o consumo urbano em até 30% comparado a um similar a combustão, enquanto um MHEV economiza cerca de 10%., mas a lógica apresentada pelo especialista indica que a escolha deve considerar o contexto de recarga de cada usuário.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- mimagephotos para Depositphotos (depositphotos.com)
- ABVE (abve.org.br)
