O transporte de produtos perigosos no Brasil emprega 98.841 trabalhadores formais, segundo estudo de 2024 encomendado pela ABTLP ao IPTC. Desse total, 50.163 são motoristas, o que representa pouco mais da metade da força de trabalho do setor. Apesar do número expressivo, a atividade enfrenta um desafio conhecido: a falta de condutores qualificados para atender à demanda.
O levantamento, intitulado Perfil Empresarial – Brasil, traça um retrato detalhado dos profissionais que atuam nesse segmento. Os dados mostram que a maioria dos trabalhadores possui ensino médio completo, mas a presença feminina ainda é reduzida, especialmente na função de motorista. A seguir, confira os principais números e o que eles revelam sobre o setor.
Perfil educacional dos trabalhadores
Entre os 98.841 trabalhadores formais identificados, 65.527 possuem ensino médio completo, o equivalente a 66,3% do total. Esse percentual indica que a maior parte da mão de obra concluiu a educação básica, um requisito importante para o manuseio de documentos e o cumprimento de normas de segurança.
Outros 17,3% dos trabalhadores concluíram o ensino fundamental, enquanto 9,3% não completaram essa etapa. Já os profissionais com ensino superior somam 6,8% do contingente. A fonte não detalhou a distribuição desses percentuais por função, mas os números sugerem que a qualificação formal varia entre os cargos operacionais e administrativos.
Esse panorama educacional tem implicações diretas para a capacitação. Como o transporte de produtos perigosos exige conhecimentos específicos sobre regulamentação, sinalização e procedimentos de emergência, a formação continuada torna-se essencial. A ABTLP, ciente dessa necessidade, tem investido em cursos gratuitos para elevar o nível técnico dos profissionais.
Mulheres são minoria no setor
Dos 98.841 trabalhadores formais, apenas 13.067 são mulheres, o que corresponde a 13,2% do total. A participação feminina é ainda menor entre os motoristas: somente 553 dos 50.163 condutores são do sexo feminino, ou 1,1% do total. Esses números evidenciam uma forte predominância masculina, sobretudo nas funções de condução.
A baixa representatividade feminina é atribuída por especialistas à falta de infraestrutura adequada nas estradas, à jornada prolongada e à percepção de risco, conforme pesquisa da CNT de 2023. A fonte não detalhou as causas dessa disparidade, mas os dados reforçam a necessidade de políticas de inclusão e de atração de mulheres para o setor.
Apesar do número reduzido, as 553 motoristas mulheres representam um avanço em relação a anos anteriores. Iniciativas de capacitação e campanhas de recrutamento podem contribuir para ampliar esse número, trazendo novos talentos para uma área que sofre com a escassez de condutores.
Falta de motoristas desafia o setor
O estudo não quantifica a demanda não atendida, mas a ABTLP estima um déficit de 10 mil motoristas no setor, segundo declaração de seu presidente em 2024. A associação oferece curso gratuito a distância para Condutores de Veículos de Carga (CVC), com 40 horas de duração, abordando legislação e direção defensiva, em parceria com o SEST SENAT.
Além disso, a entidade prepara uma nova capacitação on-line voltada à sinalização dos veículos utilizados no transporte de produtos perigosos e à aplicação correta das exigências técnicas e regulatórias. Essas iniciativas visam qualificar tanto os profissionais já atuantes quanto novos entrantes, reduzindo o déficit de mão de obra especializada.
A escassez de motoristas não é exclusividade do transporte de produtos perigosos, mas a complexidade da atividade torna a formação mais demorada e rigorosa. O condutor precisa dominar normas específicas, como a sinalização de veículos e o manuseio de documentos fiscais, o que exige treinamento contínuo.
Educação como caminho para a qualificação
O perfil educacional dos trabalhadores mostra que a maioria tem ensino médio completo, o que facilita a absorção de conteúdos técnicos. No entanto, a parcela com ensino fundamental incompleto (9,3%) pode enfrentar dificuldades adicionais para compreender regulamentos complexos. Por isso, os cursos oferecidos pela ABTLP e pelo SEST SENAT são desenhados para atender a diferentes níveis de escolaridade.
O novo curso on-line sobre sinalização e exigências regulatórias, com 20 horas e certificado, está disponível gratuitamente no site da ABTLP. Com formato a distância, o curso permite que motoristas de todas as regiões do país se atualizem sem precisar se deslocar, reduzindo custos e ampliando o alcance.
Essas ações são fundamentais para elevar a segurança nas estradas e a eficiência logística. Um motorista bem treinado está mais preparado para prevenir acidentes, manusear cargas perigosas e responder a emergências, protegendo a si mesmo e à população.
Perspectivas para o setor
Os dados do estudo Perfil Empresarial – Brasil oferecem um diagnóstico valioso para empresas, entidades de classe e formuladores de políticas públicas. Com 98.841 trabalhadores formais, o transporte de produtos perigosos é um segmento relevante da economia, mas a falta de motoristas e a baixa participação feminina indicam desafios a serem superados.
A ABTLP tem demonstrado proatividade ao investir em educação e capacitação. A parceria com o SEST SENAT e o lançamento de novos cursos on-line são passos concretos para qualificar a mão de obra e atrair novos profissionais. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para reduzir o déficit de condutores e aumentar a segurança no transporte de cargas perigosas.
Para os interessados em ingressar na área, os cursos gratuitos representam uma porta de entrada acessível. A formação adequada é o primeiro passo para uma carreira que, apesar dos desafios, oferece estabilidade e importância estratégica para a cadeia de suprimentos do país.

