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Telê Santana ganha Cadillac em aposta com presidente do Flu

Telê Santana ganha Cadillac em aposta com presidente do Flu

Crédito: autoesporte.globo.com

Um jovem herói em campo

O início de 1952 marcou a final do Campeonato Carioca entre Fluminense e Bangu. O centroavante e artilheiro do Flu, Carlyle, com 23 gols, lesionou-se e ficou fora da decisão.

Em seu lugar entrou Telê Santana, um jovem de 20 anos recém-promovido da base. A responsabilidade sobre o novato era imensa, mas ele escreveria seu nome na história do tricolor.

Telê marcou os dois gols da partida: um aos 18 minutos do primeiro tempo e outro aos 31 minutos da segunda etapa. Com o placar de 2 a 0, o Fluminense festejou o título.

A atuação decisiva transformou o jovem em herói da torcida e garantiu o troféu estadual. Aquele dia ficaria marcado não apenas pelo triunfo esportivo, mas por um gesto peculiar de reconhecimento.

O prêmio sobre rodas

O Cadillac como reconhecimento

Na manhã seguinte, segunda-feira, 21 de janeiro de 1952, um dirigente do tricolor enviou um Cadillac com motorista à casa de Telê. O carro ficou à sua disposição por 24 horas.

O luxuoso automóvel representava um prêmio tangível pela conquista. Era a forma do clube agradecer ao jovem decisivo na partida mais importante da temporada.

Um passeio com propósito

Com o carro, Telê foi até a Igreja da Penha e pagou sua promessa de subir a escadaria caso fosse campeão. O passeio teve um propósito que ia além do desfrute material.

Serviu para cumprir um compromisso pessoal e religioso do atleta. Esse episódio específico contrastava fortemente com a postura que Telê demonstraria ao longo da vida.

Uma fama de frugalidade

Contra arroubos consumistas

Telê era totalmente contra arroubos consumistas. Costumava dar bronca em jogadores que tinham esses impulsos quando o futebol começou a pagar bem aos atletas.

Sua filosofia valorizava a moderação e o cuidado com os recursos. Princípios que tentava transmitir aos atletas que orientava em sua carreira posterior como técnico.

O apelido de “pão-duro”

Telê era frequentemente chamado de pão-duro. O apelido refletia uma postura consciente de evitar gastos supérfluos e ostentações.

Esse traço tornou o episódio do Cadillac ainda mais singular. Representou um momento excepcional em que aceitou e utilizou um bem de luxo, ainda que por período limitado e com objetivo específico.

O legado além dos campos

Reconhecimento póstumo

Telê Santana morreu em 2006, aos 74 anos. Sua passagem deixou marcas profundas no futebol brasileiro, reconhecidas muito tempo depois.

Em 2022, 16 anos após sua morte, uma pesquisa do site Globo Esporte o elegeu como o “maior técnico da história do futebol brasileiro”.

Votação entre pares

Mais de cem treinadores, em atividade ou aposentados, votaram. O reconhecimento por parte de seus pares coroou uma trajetória que começou décadas antes.

Consolidou-se com um estilo de jogo ofensivo e valores que transcendiam as quatro linhas. A história do passeio de Cadillac não é apenas uma curiosidade sobre um prêmio incomum.

É uma peça que ajuda a compor o mosaico da vida de uma figura que marcou época no esporte nacional.

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