Uma nova arma contra o transporte irregular
Na semana passada, foi apresentada uma proposta que promete usar tecnologia para enfrentar um problema crônico nas rodovias paulistas: o transporte clandestino de passageiros.
A iniciativa, batizada de Sistema de Identificação de Transporte Irregular e Clandestino (SITIC), é uma solução tecnológica que utiliza cruzamento de dados e monitoramento de veículos.
Seu objetivo é identificar possíveis operações de transporte feitas fora da regulamentação, tornando a fiscalização mais estratégica.
Desenvolvimento e objetivo do sistema
A ferramenta foi desenvolvida pela empresa SV Tech e busca utilizar inteligência de dados para detectar padrões de irregularidade.
Com isso, a expectativa é que o combate a essa prática ganhe mais precisão e eficácia.
Como a tecnologia identifica as irregularidades
O funcionamento do SITIC se baseia na análise integrada de informações provenientes de diferentes fontes.
Fontes de dados utilizadas
- Registros de praças de pedágio, que capturam a passagem de veículos.
- Informações de sistemas de leitura automática de placas (OCR).
- Bases regulatórias relacionadas ao transporte rodoviário.
Com o cruzamento dessas informações, o sistema consegue identificar inconsistências entre viagens declaradas e veículos efetivamente circulando nas rodovias.
Essas inconsistências podem indicar atividade clandestina, sinalizando para as autoridades onde a fiscalização deve se concentrar.
O desafio do transporte clandestino
O avanço da internet e das redes sociais tem facilitado a atuação de operadores clandestinos.
Esses agentes anunciam viagens por meio de sites e plataformas digitais, muitas vezes oferecendo preços significativamente mais baixos que os praticados pelo transporte regular.
Impactos da prática irregular
No entanto, esse tipo de serviço, realizado fora das regras do sistema de transporte, normalmente não oferece garantias mínimas de segurança, fiscalização ou regularidade da operação.
A prática também gera concorrência desleal com empresas autorizadas, que precisam cumprir exigências regulatórias, normas de segurança e obrigações legais.
Portanto, o problema vai além da informalidade, impactando a segurança dos usuários e a saúde do mercado.
Uma mudança na estratégia de fiscalização
Uma das principais vantagens da proposta é permitir que a fiscalização deixe de depender exclusivamente de operações presenciais nas rodovias.
Em vez de abordagens aleatórias ou baseadas em denúncias, o sistema oferece um método baseado em evidências.
Fiscalização proativa e direcionada
A ferramenta utiliza informações de diferentes fontes para identificar possíveis irregularidades no transporte de passageiros de forma proativa.
Dessa maneira, os esforços podem ser direcionados para os pontos de maior risco, otimizando o uso de recursos humanos e materiais.
Essa abordagem representa um salto na capacidade do Estado de monitorar e coibir atividades ilegais no setor.
Autoridades veem potencial na iniciativa
Segundo o superintendente de Transportes Coletivos da Artesp, Felipe Freitas, iniciativas baseadas em tecnologia podem ajudar a enfrentar esse problema.
Em declaração, Felipe Freitas afirmou: “Hoje o transporte clandestino representa um desafio importante. Iniciativas como essa contribuem para fortalecer a regulação, reduzir a informalidade e garantir mais segurança para quem utiliza o sistema”.
A fala do gestor público reforça a percepção de que ferramentas digitais são aliadas na modernização da gestão do transporte.
A expectativa é que, com mais dados e análises, seja possível criar um ambiente mais seguro e justo para todos os envolvidos.
O que esperar do futuro
A apresentação do SITIC marca um passo na direção de uma fiscalização mais inteligente e baseada em dados.
A proposta busca tornar a fiscalização mais estratégica, utilizando inteligência de dados para detectar padrões de irregularidade de maneira sistemática.
Mudança de paradigma na fiscalização
Embora os detalhes sobre a implementação e os resultados práticos ainda não tenham sido divulgados, a iniciativa sinaliza uma mudança de paradigma.
O foco passa a ser a prevenção e a identificação precisa, em contraste com métodos tradicionais.
Assim, a tecnologia se consolida como uma peça-chave no combate a práticas que prejudicam passageiros e empresas regulares.
