Quase um em cada três sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras tem relação direta com a saúde do motorista. É o que aponta um estudo da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), que analisou dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2014 e 2024. A pesquisa reforça a necessidade de acompanhamento periódico das condições de saúde dos condutores.
Saúde do motorista e comportamento lideram causas
De acordo com a Abramet, os dados reforçam a importância do acompanhamento periódico das condições de saúde dos condutores. Somados, os fatores ligados ao comportamento e à saúde dos motoristas representam aproximadamente 80% de todas as ocorrências registradas no período analisado. Os problemas relacionados à infraestrutura viária corresponderam a 8% dos registros, enquanto falhas nos veículos representaram cerca de 7%. Aspectos ambientais, como chuva intensa e neblina, responderam por 4% das ocorrências.
Metodologia da PRF permite análise detalhada
Conforme a Abramet, a metodologia utilizada pela PRF permite identificar não apenas o tipo de sinistro, mas também os fatores que contribuíram para sua ocorrência. Isso possibilita uma compreensão mais aprofundada das causas e direciona políticas de prevenção.
Minas Gerais lidera ranking de ocorrências
Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 154.648 ocorrências relacionadas à saúde dos condutores. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo aparecem logo depois de Minas Gerais. A concentração de casos nesses estados pode estar associada à extensão da malha rodoviária e ao volume de tráfego.
Colisões são o tipo mais comum de sinistro
As colisões — frontais, traseiras e laterais — representaram mais da metade dos casos registrados entre 2014 e 2024. Na sequência das colisões aparecem saídas de pista, tombamentos, quedas e capotamentos. Esses dados indicam a gravidade dos acidentes e a necessidade de medidas preventivas.
Homens são maioria entre os envolvidos
Os homens estiveram envolvidos em 66,1% dos sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras. A predominância masculina se manteve na maior parte das categorias analisadas pela PRF. A maior concentração de ocorrências foi observada entre condutores de 20 a 59 anos. As faixas etárias com maior concentração de ocorrências são entre 30 e 39 anos e entre 20 e 29 anos.
Jovens e idosos são mais vulneráveis
Jovens com até 19 anos e pessoas com 60 anos ou mais aparecem proporcionalmente mais entre as vítimas fatais. Jovens com até 19 anos e pessoas com 60 anos ou mais participam menos do total de sinistros. Isso sugere que, embora estejam menos envolvidos em acidentes, quando ocorrem, as consequências são mais graves.
Acompanhamento periódico é essencial
De acordo com a Abramet, o acompanhamento periódico da saúde dos condutores continua sendo uma medida essencial para reduzir riscos no trânsito e prevenir mortes e feridos nas rodovias brasileiras. A entidade defende a ampliação de programas de avaliação médica para motoristas profissionais e a conscientização da população sobre a importância de manter a saúde em dia antes de dirigir.

