No calendário nacional, o dia 25 de julho é dedicado ao motorista profissional. Neste ano, a data joga luz sobre as difíceis condições de trabalho enfrentadas por uma parcela significativa desses trabalhadores. Mais de 70% dos motoristas avaliados no setor atuam no transporte de fretados e escolar, segmentos em que a rotina é marcada por jornadas fragmentadas, longos períodos ao volante, pressão pelo cumprimento de horários e um isolamento quase constante.
Jornadas fragmentadas e pressão constante
Esses profissionais começam o dia antes do amanhecer, transportando crianças ou passageiros em horários de pico. Depois, enfrentam um longo intervalo ocioso até o retorno no fim da tarde. Essa fragmentação da jornada impede que o motorista tenha uma rotina contínua de trabalho e descanso, gerando cansaço acumulado. Além disso, a necessidade de estar sempre disponível nos horários contratados tira a previsibilidade da vida pessoal.
Isolamento e longas horas ao volante
Os longos períodos ao volante são outra fonte de desgaste. Dirigir por horas seguidas exige atenção redobrada e provoca fadiga muscular e mental. A pressão para cumprir horários rigorosos é uma constante, principalmente porque atrasos podem acarretar penalidades ou insatisfação dos clientes. O isolamento na cabine, por sua vez, restringe o convívio social do motorista, que pode passar o dia inteiro sem trocar uma palavra com colegas.
Riscos à saúde e à operação
O médico do trabalho Dr. Marco Aurélio Bussacarini, especialista em Medicina Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, chama a atenção para o fato de que esses elementos representam riscos concretos. Eles não apenas ameaçam a saúde dos trabalhadores — podendo levar ao estresse crônico e a lesões —, mas também abalam o funcionamento das empresas. A instabilidade provocada pelo adoecimento dos motoristas reverbera em toda a operação.
NR-1 exige gerenciamento dos riscos psicossociais
A discussão sobre os riscos psicossociais ganhou novo capítulo com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A norma agora determina que as empresas devem identificar, avaliar e gerenciar esses riscos no ambiente de trabalho. Isso significa que os empregadores terão de mergulhar nas particularidades da rotina dos motoristas para mapear fontes de estresse e adotar medidas preventivas.
Na prática, as organizações dos mais diversos setores precisam demonstrar tecnicamente como monitoram fatores relacionados ao estresse ocupacional. Isso envolve a coleta de dados sobre absenteísmo, entrevistas com funcionários e análise de indicadores de saúde. Além disso, as empresas devem explicitar quais medidas adotam para reduzir o adoecimento dos trabalhadores, como programas de apoio psicológico e reestruturação de processos. Essa transparência não apenas atende à legislação, mas também constrói uma relação de confiança com os empregados.
Prevenção: um investimento necessário
O especialista destaca que, no caso dos motoristas, investir na prevenção significa, antes de tudo, proteger a saúde dos profissionais. Um programa de prevenção eficaz pode incluir avaliações periódicas, acompanhamento psicológico e melhorias ergonômicas nos veículos. Com a saúde em dia, os condutores enfrentam o dia a dia com mais energia e foco.
Benefícios da prevenção para motoristas e empresas
- Proteção da saúde: programas eficazes incluem avaliações periódicas, suporte psicológico e melhorias ergonômicas, mantendo os profissionais com mais energia e foco.
- Operações mais seguras: motoristas descansados e menos estressados tomam decisões mais acertadas no trânsito, reduzindo o risco de acidentes.
- Redução de afastamentos: a diminuição de adoecimentos garante a continuidade da escala de serviços, evitando improvisos e custos com substituições.
- Menor rotatividade: profissionais que se sentem cuidados permanecem mais tempo na empresa, acumulando conhecimento e fortalecendo a cultura organizacional.
- Melhoria da qualidade dos serviços: transporte pontual e motoristas atenciosos geram satisfação dos passageiros, fidelizam clientes e melhoram a imagem da empresa.
Dr. Marco Aurélio Bussacarini conclui: “Quando a empresa compreende os fatores que geram desgaste e atua para reduzi-los, ela protege o trabalhador, melhora o desempenho operacional e fortalece a segurança de toda a cadeia de transporte.”
A mensagem, no Dia do Motorista, é clara: cuidar de quem está ao volante é essencial para todos.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
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- Norma Regulamentadora (www.gov.br)

