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Renault e Geely criam motor à prova d’água


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Renault e Geely criam motor à prova d'água
Crédito: autoesporte.globo.com

A Horse, fabricante de motores criada pela Renault em parceria com a Geely, anunciou o desenvolvimento de um propulsor à prova d’água. O motor, identificado pelo codinome B20, foi projetado para atender aos padrões de impermeabilização IPX8, o que significa que é capaz de funcionar submerso em até 1,1 metro de água. A novidade representa um avanço significativo para veículos que precisam enfrentar alagamentos ou terrenos extremos, e já está disponível comercialmente na China, equipando o SUV Geely Galaxy Cruiser 700.

O anúncio foi feito pela Horse, joint venture criada pela Renault e pela Geely para desenvolver e produzir motores híbridos e a combustão. A empresa não detalhou quando o motor chegará a outros mercados, mas a aplicação inicial no Galaxy Cruiser 700 indica o foco em veículos com capacidade off-road e robustez elevada. A seguir, você confere os detalhes técnicos e as implicações dessa tecnologia.

Proteção subaquática com vedação de nível militar

Para garantir o funcionamento debaixo d’água, o motor B20 possui componentes elétricos e sensores selados, além de uma vedação especial de nível militar entre o bloco e a transmissão. Essa vedação impede a entrada de água em pontos críticos, preservando a integridade do conjunto motriz mesmo em imersão temporária. A fiação elétrica, conectores do chicote, bobinas de ignição e atuadores utilizam impermeabilização em silicone de camada dupla, reforçando a resistência à umidade e à pressão hídrica.

Além disso, a unidade de controle do motor (ECU) e os sensores essenciais possuem encapsulamento resistente à pressão hídrica, o que evita falhas eletrônicas quando o veículo atravessa áreas alagadas. A entrada de ar do turbo é canalizada diretamente para um sistema de snorkel estanque, garantindo que o motor receba ar limpo mesmo com a água acima do capô. As saídas de ar e o sistema de exaustão contêm válvulas que impedem a contaminação por refluxo de água, evitando danos ao motor em situações de submersão.

Essas soluções de engenharia permitem que carros equipados com o propulsor atravessem trechos alagados com segurança, desde que respeitados os limites de profundidade estabelecidos pelo fabricante. A Horse não especificou por quanto tempo o motor pode permanecer submerso. O padrão IPX8 indica que o equipamento suporta imersão contínua em água, mas a profundidade e o tempo exatos são definidos pelo fabricante.

Vídeo: YouTube | Fonte: autoesporte.globo.com

Desempenho e eficiência do motor B20

O B20 é um motor 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina, projetado para aplicação em conjuntos híbridos HEVs, PHEVs e REEVs. Sua potência varia de 190 cv a 252 cv, e o torque vai de 30,6 kgfm a 38,7 kgfm, dependendo da configuração do sistema híbrido. Com peso de cerca de 130 kg, o motor é relativamente leve para sua categoria, o que contribui para a eficiência geral do veículo.

Em termos de tecnologia de combustão, o B20 opera em ciclo Miller, que prioriza a eficiência térmica em detrimento da potência máxima em altas rotações. Ele utiliza injeção direta, pistões especialmente projetados e dutos de admissão de alta turbulência para otimizar a queima da mistura ar-combustível. Como resultado, o motor atinge eficiência térmica declarada de 48,4%, um número expressivo para motores a gasolina, que normalmente ficam na faixa de 35% a 40%.

Essa eficiência elevada se traduz em menor consumo de combustível e menores emissões, especialmente quando combinada com sistemas híbridos. A Horse não divulgou dados de consumo ou emissões específicos, mas a arquitetura do motor sugere foco em sustentabilidade e desempenho equilibrado.

Aplicação no Geely Galaxy Cruiser 700

Na China, o motor B20 já está disponível comercialmente e equipa o SUV Geely Galaxy Cruiser 700. Nesse veículo, o motor trabalha associado a um sistema híbrido plug-in com um câmbio híbrido de três marchas da Horse. Essa combinação permite que o SUV alterne entre modos de condução elétrico, híbrido e a combustão, otimizando o consumo conforme a demanda.

O Galaxy Cruiser 700 é um SUV de grande porte, e a capacidade do motor de operar submerso agrega valor para consumidores que enfrentam enchentes ou utilizam o veículo em trilhas com travessias de água. Além disso, o motor permite que o veículo suba rampas com inclinação de 100% (equivalente a 45 graus). Essa capacidade de vencer obstáculos íngremes é um diferencial para uso off-road.

A Horse não informou se o motor B20 será oferecido em outros modelos da Geely ou da Renault. A empresa também não detalhou planos de exportação para outros mercados, como Europa ou América Latina.

Implicações para o mercado automotivo

O desenvolvimento de um motor à prova d’água por uma joint venture entre Renault e Geely indica uma tendência de veículos mais resilientes a condições adversas. Com as mudanças climáticas aumentando a frequência de enchentes em áreas urbanas, a capacidade de atravessar trechos alagados sem danos ao motor pode se tornar um diferencial competitivo importante.

Além disso, a integração com sistemas híbridos plug-in e a alta eficiência térmica posicionam o B20 como uma opção alinhada às regulamentações de emissões mais rígidas. A Horse não revelou o custo adicional dessa tecnologia, mas é provável que os veículos equipados com o motor tenham preço superior aos convencionais, devido à complexidade da vedação e dos componentes especiais.

Para os consumidores, a principal vantagem é a tranquilidade de saber que o motor pode suportar imersões temporárias sem sofrer calço hidráulico ou danos elétricos. No entanto, é importante ressaltar que a capacidade de submersão não torna o veículo um barco: a profundidade máxima de 1,1 metro e o tempo de exposição devem ser respeitados conforme as orientações do fabricante.

Até o momento, a Horse não divulgou cronograma para disponibilizar o motor B20 em outros mercados. A fonte não detalhou se haverá versões adaptadas para diferentes combustíveis, como etanol, comum no Brasil. Enquanto isso, o Geely Galaxy Cruiser 700 segue como o primeiro veículo de produção a utilizar essa tecnologia inovadora.

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