Um trecho da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), na capital paulista, monitorado por câmeras com inteligência artificial, registrou queda de 22% no número de acidentes e de 80% nos casos graves ou fatais. Os dados são do Centro de Controle Operacional da Ecovias Raposo Castello, concessionária responsável pelo trecho. O resultado foi observado entre os quilômetros 15 e 20, onde os equipamentos foram instalados.
Segundo a concessionária, foram 67 acidentes em julho e agosto de 2026, contra 86 no mesmo período do ano passado. Já as ocorrências com vítimas graves ou fatais caíram de cinco para uma, uma redução de 80%. Segundo a concessionária, a tecnologia foi fator relevante para a melhora nos índices.
Queda de 22% nos acidentes no trecho
No trecho entre os quilômetros 15 e 20, a redução foi de 22%, passando de 86 para 67 ocorrências. A queda nos casos graves ou fatais foi ainda mais expressiva: de cinco para um, ou 80%.
No trecho total sob concessão da Ecovias, entre os quilômetros 10,9 e 34, os acidentes passaram de 262 para 253 na mesma comparação, uma queda de 3,5%. Isso indica que o efeito mais acentuado ocorreu justamente na área monitorada pelas câmeras inteligentes. A concessionária não detalhou os motivos exatos para essa diferença.
Os equipamentos instalados nos quilômetros 17 e 18 usam inteligência artificial para identificar motoristas e passageiros sem cinto de segurança e condutores utilizando ou manuseando o celular ao volante. Essas infrações estão entre as principais causas de acidentes graves em rodovias, segundo especialistas. A tecnologia permite uma fiscalização contínua, sem a necessidade de abordagem física imediata.
Como funciona a fiscalização por IA
As câmeras com inteligência artificial capturam imagens em alta resolução e as enviam em tempo real para a Polícia Militar Rodoviária, responsável pela análise e eventual autuação. A concessionária não aplica multas diretamente, atuando apenas como fornecedora da infraestrutura tecnológica. Esse modelo de operação busca garantir a legalidade e a transparência do processo.
Entre agosto e setembro, as câmeras contribuíram para 2.136 autuações em 30 dias, uma média de cerca de 75 multas por dia. Durante o período de testes, a falta do cinto respondeu por 1.386 registros, ou 59,84% do total, enquanto o uso do celular ao volante representou 930 ocorrências, ou 40,16%. Os números revelam a alta incidência dessas infrações no trecho.
É importante destacar que os equipamentos não multam por excesso de velocidade. O foco está exclusivamente nas infrações relacionadas ao uso do cinto de segurança e ao manuseio do celular. Essa delimitação pode ter contribuído para a aceitação da tecnologia e para o direcionamento da fiscalização aos comportamentos de maior risco.
Resultados em outras rodovias
Na SP-255, a Arteris também testa câmeras com IA e relata reduções, mas sem detalhes metodológicos. Os dados indicam que a tecnologia pode ter efeito semelhante em diferentes contextos rodoviários.
Embora os períodos de análise e as metodologias possam variar entre as concessionárias, os resultados preliminares sugerem um potencial significativo para a redução de acidentes. A adoção de sistemas de fiscalização eletrônica baseados em IA vem sendo discutida como uma ferramenta complementar às ações tradicionais de segurança viária. A fonte não detalhou se haverá expansão do projeto para outros trechos.
Na avaliação de Rodolfo Rizzotto, Coordenador do SOS Estradas, a utilização de tecnologia e a aplicação rigorosa da lei é a única forma de reduzir os sinistros (acidentes) e tragédias. A declaração reforça a importância de políticas públicas que integrem inovação e fiscalização efetiva para melhorar a segurança nas estradas.
O que dizem os especialistas
Para Rodolfo Rizzotto, a combinação de tecnologia e rigor legal é fundamental para enfrentar o problema dos acidentes de trânsito. Ele destaca que medidas isoladas, como campanhas educativas, têm alcance limitado sem uma fiscalização consistente. A inteligência artificial, nesse contexto, surge como uma aliada para ampliar a capacidade de monitoramento e coibir comportamentos de risco.
Os dados da Raposo Tavares e da SP-255 corroboram essa visão, mostrando reduções expressivas em indicadores de segurança. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia deve ser acompanhada de transparência e respeito aos direitos dos motoristas. O envio das imagens para a Polícia Militar Rodoviária, conforme ocorre no projeto paulista, é um exemplo de procedimento que busca assegurar a legitimidade das autuações.
Ainda não há informações sobre a ampliação do sistema para outras rodovias ou sobre a continuidade dos testes após o período inicial. A fonte não detalhou os próximos passos, mas os resultados obtidos até agora podem influenciar decisões futuras de órgãos públicos e concessionárias.
Impacto na segurança viária
A redução de 22% nos acidentes e de 80% nos casos graves ou fatais no trecho monitorado da Raposo Tavares representa um avanço significativo para a segurança viária. Se mantida ao longo do tempo, essa tendência pode salvar vidas e reduzir os custos sociais e econômicos associados aos sinistros de trânsito. A experiência paulista demonstra que a fiscalização eletrônica inteligente pode ser uma ferramenta eficaz quando bem implementada.
O alto número de autuações por falta de cinto e uso de celular foi registrado no período. A tecnologia, nesse sentido, não apenas pune, mas também educa, ao tornar visível a frequência dessas infrações. A expectativa é que, com o tempo, a presença das câmeras leve a uma redução natural das condutas de risco.
Os resultados obtidos até o momento são preliminares e referem-se a um período específico de dois meses. Para uma avaliação mais robusta, seria necessário acompanhar os indicadores por um prazo maior e considerar outras variáveis, como condições climáticas e volume de tráfego. A fonte não detalhou se haverá estudos adicionais nesse sentido.
Fonte
- estradas.com.br
- Ecovias Raposo Castello (ecoviasraposocastello.com.br)

