A cidade de São Paulo não vai adotar radares com inteligência artificial para multar motoristas que usam o celular ao volante. A decisão foi anunciada pelo secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito, Gilmar Miranda, durante o Summit Futuro da Mobilidade 2026, organizado por Autoesporte e Valor Econômico. Segundo o gestor, a tecnologia é mais eficaz em malhas viárias extensas, como rodovias, do que no ambiente urbano. A justificativa reflete as diferenças estruturais entre os dois cenários de fiscalização.
Por que a cidade fica de fora
No ambiente urbano, a dinâmica do trânsito é marcada por cruzamentos, semáforos e uma alta densidade de veículos em curtos deslocamentos. Esse cenário dificulta a atuação de sistemas automatizados que dependem de leitura precisa de imagens em movimento. Além disso, a fiscalização na capital paulista é realizada por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela Polícia Militar, que atuam de forma presencial e adaptativa. A Prefeitura não detalhou se há estudos para revisão futura dessa posição. A Prefeitura não informou quais critérios técnicos embasaram a decisão.
Vídeo: YouTube | Fonte: autoesporte.globo.com
Rodovias já usam a tecnologia
Enquanto a cidade opta por não implementar o sistema, as rodovias paulistas avançam com o monitoramento por IA. As câmeras inteligentes já estão em operação em trechos concedidos à Ecovias, como o trecho urbano da Rodovia Raposo Tavares na chegada a São Paulo, e à SPMar, nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas. Nesses locais, as infrações detectadas pela inteligência artificial são enviadas a uma central de monitoramento da Polícia Militar Rodoviária para análise.
Esse fluxo garante uma triagem humana antes da autuação, reduzindo erros e aumentando a confiabilidade do sistema.
Números mostram o tamanho do problema
Os dados das rodovias revelam a dimensão do uso indevido do celular ao volante. Foram registradas 930 ocorrências ligadas ao uso do telefone celular ou fones de ouvido, o que representa 40,16% do total de infrações captadas pelo sistema. Desse montante, 579 ocorrências são pelo manuseio do aparelho, 256 por mantê-lo em mãos e 94 por utilizá-lo. A infração é considerada gravíssima, com multa de R$ 293,47 e aplicação de sete pontos na CNH.
Esses números reforçam a relevância da fiscalização em vias de alta velocidade, onde o risco de acidentes graves é maior.
Expansão prevista na Castelo Branco
A Ecovias irá expandir o perímetro de fiscalização com a instalação de novos radares com inteligência artificial na Rodovia Castelo Branco, no trecho urbano que dá acesso à capital paulista. A concessionária não informou uma data para o início desta operação. A medida acompanha a tendência de ampliar o uso da tecnologia em corredores de tráfego intenso, onde a presença constante de agentes é inviável. A concessionária não divulgou o número de equipamentos nem o investimento.
Alternativas nos veículos modernos
Os veículos modernos dispõem de recursos para evitar que o motorista utilize o aparelho ao volante, como a central multimídia. Esses sistemas permitem integração com smartphones por meio de comandos de voz e telas espelhadas, reduzindo a necessidade de manuseio direto do celular. Ainda assim, a fiscalização eletrônica em rodovias busca coibir comportamentos que escapam dessas soluções, como o uso de aplicativos de mensagens ou vídeos. Mesmo com esses recursos, a fiscalização eletrônica continua necessária em rodovias.
O futuro da fiscalização urbana
São Paulo manterá a fiscalização humana por enquanto. A complexidade do trânsito urbano e a presença de agentes em pontos estratégicos são fatores que sustentam essa escolha. No entanto, o avanço das câmeras inteligentes nas rodovias pode gerar pressão por soluções semelhantes em áreas urbanas no futuro. Não há informações sobre testes piloto na capital. Ainda não há previsão de adoção da tecnologia na cidade.
Fonte
- autoesporte.globo.com
- Valor Econômico (valor.globo.com)
- clicar aqui (www.assineglobo.com.br)

