Um novo modelo de fiscalização de trânsito começa a ganhar forma nas estradas brasileiras. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a implantação de radares de velocidade média em rodovias concedidas de oito estados. Nesta fase inicial, porém, os equipamentos não vão gerar multas. O objetivo é testar a tecnologia e avaliar seus efeitos sobre o comportamento dos motoristas.
Os projetos terão duração inicial de 180 dias, contados a partir da implantação efetiva e do início do monitoramento. Será possível prorrogar ou encerrar antecipadamente o prazo, conforme os resultados. A medida representa um passo importante para entender como a velocidade média pode contribuir para a segurança viária no país.
Onde o radar será instalado
As autorizações emitidas pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da ANTT abrangem trechos concedidos localizados em oito estados. A lista inclui rodovias de grande movimento e importância logística. Em Minas Gerais, os pontos autorizados ficam na BR-040, BR-050, BR-116 e BR-381. No Paraná, as rodovias são BR-163, BR-277, BR-376, PR-151, PR-444 e PR-862.
No Rio de Janeiro, o monitoramento está previsto para a BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e a BR-116. No Espírito Santo, uma das decisões contempla três segmentos da BR-101, com extensões de 4,34 km, 11,42 km e 7 km. A distribuição dos trechos mostra que o projeto piloto cobre diferentes perfis de via, desde pistas duplas até pontes e acessos urbanos.
No Paraná, a EPR Paraná recebeu autorização para testar o sistema em sete quilômetros da PR-444 e oito quilômetros da PR-862. Outra autorização, concedida à EPR Litoral Pioneiro, contempla oito quilômetros da BR-277 e nove quilômetros da PR-151. Na Ponte Rio-Niterói, o monitoramento deverá abranger 9,02 quilômetros da BR-101, no sentido de Niterói. Em Santa Catarina, um dos trechos autorizados fica entre os quilômetros 312 e 315 da BR-101, sob concessão da ViaCosteira.
Os pontos deverão receber sinalização para informar os usuários sobre a realização do experimento. A instalação dos equipamentos não significa que todo o percurso das rodovias listadas passará a ser monitorado por velocidade média. Apenas os segmentos específicos indicados nas autorizações terão o sistema em operação.
Como funciona a velocidade média
O cálculo considera uma fórmula simples: a distância percorrida dividida pelo tempo gasto. Imagine um trecho monitorado com dez quilômetros e limite de 80 km/h. Para manter exatamente essa média, o veículo precisaria percorrer a distância em sete minutos e 30 segundos. Se completar o percurso em seis minutos, sua velocidade média terá sido de 100 km/h.
O sistema não precisa acompanhar continuamente o veículo durante todo o trajeto. Os equipamentos registram sua passagem nos pontos determinados e associam os dados de entrada e saída. A partir dos horários, é possível calcular a média. Dessa forma, mesmo que o motorista reduza a velocidade apenas perto dos radares tradicionais, a média do trecho pode indicar excesso.
Essa lógica muda a forma como muitos condutores se comportam. Em vez de frear apenas nos pontos de fiscalização, é preciso manter uma velocidade constante e dentro do limite ao longo de todo o percurso monitorado. A tecnologia já é usada em países como Reino Unido, Austrália e Itália, com resultados positivos na redução de acidentes.
Sem multas nesta fase
A principal informação para quem passar pelos pontos monitorados é que a velocidade média registrada não poderá, nesta fase, servir isoladamente para gerar autuação ou penalidade. Ou seja, o motorista não receberá multa apenas por ter sua velocidade média calculada acima do limite. O caráter é experimental e educativo.
A ANTT não detalhou se haverá notificação aos condutores que excederem a média durante o teste, nem os critérios para avaliar a eficácia do projeto.
Para os motoristas, a recomendação é simples: respeitar os limites de velocidade em todo o trecho, independentemente da presença de fiscalização. Isso evita riscos e prepara para uma possível adoção definitiva do sistema. A experiência de outros países mostra que a velocidade média tende a reduzir a variação de velocidade entre veículos, o que diminui colisões traseiras e atropelamentos.
O projeto piloto permitirá avaliar a viabilidade técnica e operacional, medir a aceitação dos usuários e identificar problemas de sinalização ou leitura dos equipamentos, orientando futuras decisões.
Enquanto isso, os condutores que trafegam pelas rodovias listadas devem ficar atentos à sinalização específica. A presença dos equipamentos não muda as regras de trânsito atuais, mas indica que a fiscalização pode se tornar mais rigorosa no futuro. A segurança viária depende do comportamento responsável de cada motorista.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- ANTT (www.gov.br)

