Participação feminina entre motoristas de aplicativo segue baixa
A participação feminina entre motoristas de transporte por aplicativo passou de 11,53% em 2024 para 11,21% em 2025 e 10,61% em 2026, segundo levantamento da Machine baseado em operações realizadas no país.
No setor de entregas, as mulheres representavam 5,55% dos profissionais em 2024, passaram para 5,85% em 2025 e chegaram a 5,76% em 2026.
Os dados mostram que as mulheres continuam sendo minoria entre os profissionais analisados.
Limitações dos dados
Os números se referem às operações analisadas pela Machine e não devem ser interpretados automaticamente como um retrato de todos os motoristas e entregadores de aplicativos do Brasil.
O levantamento não foi apresentado como uma pesquisa específica sobre preconceito no trânsito, e os dados não permitem concluir que o preconceito de gênero seja a causa da baixa participação feminina.
Ainda assim, os percentuais mostram que a participação feminina permaneceu em patamares reduzidos durante o período observado, com pequenas oscilações anuais.
Especialista aponta persistência de estereótipos
Para Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine, os resultados apontam para uma questão que vai além da entrada das mulheres no mercado.
Segundo Júlia Camossa, a associação entre gênero e capacidade de dirigir ainda aparece em comentários e comportamentos que, muitas vezes, são tratados como brincadeiras.
A baixa presença feminina no setor reforça a necessidade de políticas que incentivem a participação das mulheres.
Lei estadual cria campanha contra preconceito
A Lei nº 12.954/2026, aprovada no âmbito do Espírito Santo, institui a campanha permanente “Mulher no Volante Segurança Constante”.
O objetivo da campanha é combater o assédio, o preconceito de gênero e outras formas de discriminação contra mulheres no trânsito.
A norma foi aprovada no âmbito estadual e não representa uma alteração nacional das regras de trânsito.
Origem da proposta
O Projeto de Lei nº 150/2023, que deu origem à lei, é de autoria da deputada estadual Iriny Lopes (PT).
De acordo com a parlamentar, “as mulheres sofrem preconceito no trânsito e são vítimas de um histórico processo de discriminação e desrespeito”.
A proposta parte do entendimento de que o trânsito também pode ser um espaço de manifestação da discriminação de gênero, por meio de ofensas, atitudes intimidatórias e comentários que questionam a capacidade das mulheres de conduzir veículos.
Medidas previstas na legislação
Entre as medidas previstas estão campanhas educativas, divulgação de iniciativas de enfrentamento ao preconceito e disseminação de informações sobre políticas públicas de atendimento às vítimas.
A legislação também busca estimular denúncias e ampliar o conhecimento sobre os direitos das mulheres.
A criação da campanha estabelece uma diretriz permanente para o estado.
Os dados da Machine e a nova lei estadual se somam ao debate sobre a participação feminina no setor de transporte e a persistência de atitudes discriminatórias.
A lei entra em vigor na data de sua publicação, mas o governo estadual ainda não divulgou o cronograma de implementação das ações.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- mimagephotos para Depositphotos (depositphotos.com)
- Lei nº 12.954/2026 (www.al.es.gov.br)

