O Código de Trânsito Brasileiro determina que o motorista deve dar prioridade ao pedestre que esteja atravessando a faixa ou iniciando a travessia em local sinalizado. Deixar de cumprir essa regra é infração, com multa e pontos na CNH. A lei é clara: parar para o pedestre é obrigatório. No entanto, na prática, quem caminha enfrenta longas esperas e riscos constantes.
Por que a lei não é cumprida?
O problema vai além da educação no trânsito. Envolve fiscalização insuficiente, desenho urbano inadequado, pressa cotidiana e uma cultura histórica que priorizou o automóvel acima das pessoas. Durante décadas, muitas cidades foram planejadas para a fluidez dos veículos, não para a circulação segura de pedestres. O resultado é insegurança, atrasos e risco constante para quem caminha.
Fiscalização insuficiente
Infrações contra pedestres costumam ser menos fiscalizadas do que excesso de velocidade ou estacionamento irregular. Motoristas frequentemente enxergam a parada como atraso, não como dever. Quando o motorista ignora a travessia, quem mais sofre são os usuários vulneráveis: idosos, que precisam de mais tempo; pessoas com deficiência, que dependem de acessibilidade; gestantes e pessoas com mobilidade reduzida, que enfrentam obstáculos extras. Alguns segundos de impaciência podem gerar consequências graves.
Desenho urbano como barreira
Há faixas apagadas, mal posicionadas ou sem iluminação adequada. A infraestrutura nem sempre favorece a travessia segura. Cidades que valorizam o pedestre tendem a ser mais organizadas, humanas e eficientes. Para isso, faixas elevadas, ilhas de refúgio e melhor iluminação ajudam. Câmeras e monitoramento podem ampliar o cumprimento da regra. Campanhas permanentes funcionam melhor do que ações isoladas.
Mudança de cultura é necessária
Quando um motorista para, influencia outros condutores. De acordo com Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal, o trânsito seguro começa quando se reconhece que toda pessoa será pedestre em algum momento do dia. A transformação exige ações coordenadas: fiscalização, infraestrutura e conscientização contínua.

