Motociclistas seguem sendo as vítimas mais vulneráveis no trânsito brasileiro. Dados oficiais mostram que, a cada ano, milhares de sinistros envolvem motos, muitos deles fatais. A pergunta que persiste é: por que, mesmo com campanhas e fiscalização, os acidentes continuam ocorrendo em alta escala?
Problema complexo e multifatorial
O problema é complexo e não pode ser explicado por uma única causa. Infraestrutura deficiente, excesso de velocidade, falhas de fiscalização, comportamento de risco e convivência ruim entre modais ajudam a compor esse cenário. Cada um desses elementos contribui para que o motociclista se torne invisível aos olhos dos demais condutores.
Invisibilidade no trânsito
Muitos condutores de carros, ônibus e caminhões deixam de perceber a aproximação das motos em tempo hábil. Mudanças bruscas de faixa, conversões sem atenção e ponto cego seguem entre causas recorrentes de colisões. Entre os fatores ligados aos demais veículos estão conversões sem seta ou sem atenção ao retrovisor. Outro fator relevante é a subestimação da velocidade da motocicleta, fazendo com que o motorista julgue mal o tempo disponível para uma manobra.
Comportamento dos motociclistas
Responsabilizar apenas outros condutores seria simplificar um problema que também envolve parte dos próprios motociclistas. Muitos motociclistas circulam sob pressão de tempo, produtividade e pressa. Em alguns casos, a pressão se traduz em comportamentos perigosos que elevam o risco de quedas e colisões. Circular em corredores com alta velocidade é um comportamento perigoso. Em setores como entregas rápidas, o modelo de remuneração pode incentivar correria e decisões arriscadas no trânsito.
Responsabilidade compartilhada
Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, afirma que não existe solução baseada em culpar apenas um grupo. Segundo ele, o motociclista precisa ser respeitado, mas também precisa adotar condução segura. O trânsito exige responsabilidade compartilhada. As consequências para quem está na moto costumam ser mais graves do que para outros veículos. A motocicleta não oferece carroceria protetora, cintos ou airbags. Por isso, a redução das mortes passa por ações combinadas para políticas específicas para mobilidade por moto.
Caminhos para a segurança
Celso Mariano finaliza afirmando que salvar vidas no trânsito depende menos de disputa entre categorias e mais de responsabilidade coletiva.

