Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil registrou aumento nas mortes em acidentes de trânsito. De acordo com o estudo “Dados Consolidados de Óbitos no Trânsito Brasileiro – 2024”, divulgado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (DATASUS) do Ministério da Saúde, o país contabilizou 37.150 vítimas fatais em 2024, contra 34.881 no ano anterior. Esse crescimento de 6,5% representa 2.269 vidas perdidas a mais e é o maior percentual desde 2002, quando a alta havia sido de 7,3%. O número total de óbitos também atingiu o patamar mais elevado desde 2016.
Alta histórica após anos de aumento
O salto de 6,5% observado entre 2023 e 2024 chama a atenção por ser o maior em mais de duas décadas. Em 2002, o crescimento havia sido de 7,3%, mas desde então o país não via uma elevação tão intensa. Os dados consolidados pelo ONSV indicam que a tendência de piora se mantém firme, levando o Brasil a um patamar de fatalidades que não era registrado desde 2016. Esse cenário preocupa especialistas e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
Motociclistas lideram as estatísticas
O crescimento mais expressivo em números absolutos ocorreu entre ocupantes de motocicletas. Em 2024, 15.459 motociclistas morreram no trânsito brasileiro, um salto de 1.982 óbitos em relação aos 13.477 registrados em 2023. Esse aumento de 14,7% fez com que os motociclistas passassem a representar aproximadamente 42% de todas as vítimas fatais do trânsito no país.
Predominância masculina entre os motociclistas
Dentro desse grupo, a maioria das vítimas é do sexo masculino: os homens somaram 13.497 mortes, o equivalente a 37,1% do total de óbitos no trânsito em 2024. A predominância masculina entre as fatalidades sobre duas rodas reflete, em parte, a maior exposição desse público ao risco.
Caminhões e ônibus também preocupam
Além das motocicletas, outros tipos de veículos apresentaram aumentos alarmantes. As mortes de ocupantes de caminhões subiram 30,2%, enquanto as de ocupantes de ônibus cresceram 28,3%. Embora em números absolutos esses grupos representem uma parcela menor das vítimas, o crescimento proporcional é um sinal de alerta. A fonte não detalhou as causas específicas desses aumentos, mas o cenário sugere que as condições das rodovias e a fiscalização podem estar entre os fatores contribuintes.
Norte e Nordeste puxam a alta regional
O aumento das mortes no trânsito foi observado na maior parte das Unidades da Federação. Apenas três localidades conseguiram reverter a tendência ou mantiveram estabilidade.
Exceções ao avanço nacional
O Rio de Janeiro registrou queda expressiva de 35%, Roraima reduziu 9,7% e o Distrito Federal permaneceu estável.
Comparativo regional
Em termos regionais, o Norte apresentou o maior crescimento, com alta de 15,7%, seguido pelo Nordeste (11,6%), Sul (6%), Centro-Oeste (5,9%) e Sudeste, que teve uma redução discreta de 0,8%. Essa distribuição indica que as regiões com infraestrutura menos desenvolvida podem estar enfrentando desafios adicionais para conter a violência no trânsito.
Crianças e idosos sofrem com avanço
A mortalidade avançou em quase todas as faixas etárias analisadas pelo estudo. A única exceção foi o grupo de 10 a 14 anos, que teve uma redução de 2,9%.
Crianças pequenas apresentam alta preocupante
Entre as crianças, os óbitos de menores de 1 ano cresceram 17%, e a faixa de 5 a 9 anos teve alta de 11,5%. No agregado das crianças de 0 a 9 anos, o avanço foi de 10,5%.
Idosos também estão mais vulneráveis
Entre os idosos com 60 anos ou mais, as mortes no trânsito aumentaram 8,6%. Esses números acendem o sinal de alerta para a proteção dos passageiros mais vulneráveis, seja pela adequação dos dispositivos de segurança ou pelo comportamento dos condutores.
Desafios para a segurança viária
O estudo do ONSV, baseado nos dados oficiais do DATASUS, não aponta causas únicas para o agravamento do cenário. No entanto, a análise dos números deixa claro que o Brasil está distante de cumprir metas de redução de mortes no trânsito. O quinto ano consecutivo de alta, com um crescimento de 6,5% e o retorno ao patamar de 2016, exige uma resposta coordenada entre governos, sociedade e setor privado. Enquanto as motocicletas respondem por quase metade das fatalidades, os aumentos em veículos pesados e a vulnerabilidade de crianças e idosos mostram que o problema é multifacetado. A fonte não detalhou medidas específicas recomendadas, mas a urgência de ações é evidente.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- Lei nº 15.006/2024 (www.planalto.gov.br)
