Na hora de escolher um carro, o volume do porta-malas é um dos itens mais consultados na ficha técnica. No entanto, nem todas as medições seguem o mesmo critério. Essa falta de padrão pode levar a interpretações equivocadas e fazer com que o consumidor tome uma decisão baseada em números que nem sempre refletem a realidade de uso.
Normas existem, mas não são obrigatórias
Existem normas técnicas para padronizar o cálculo do volume do porta-malas, mas elas não são obrigatórias para divulgação comercial. O Brasil possui normas como a ABNT NBR 8281 e a ABNT NBR ISO 3832, que padronizam a medição com base no método VDA/ISO. No entanto, segundo Alisson Sarmento, a norma ABNT não é lei e só se torna obrigatória se citada em regulamento governamental. O método VDA virou uma referência de mercado, mas não um padrão imposto.
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Diferenças na altura da medição
Um dos principais fatores por trás de números diferentes é a altura considerada na medição. Quando o volume é calculado até o tampão, ele representa o espaço utilizável de forma segura. Já a medição até o teto inclui um volume adicional que não é recomendado para uso. Empilhar bagagem acima da linha dos vidros compromete a visibilidade e aumenta o risco em frenagens. Por isso, comparar apenas o número de litros pode não ser suficiente.
Volume não é tudo: formato importa
Dois carros podem ter exatamente o mesmo volume em litros e oferecer experiências muito diferentes. O mesmo volume total pode ter formatos completamente distintos, com diferenças de largura, altura e profundidade, além de intrusões como caixas de roda e degraus. O formato do porta-malas costuma ser mais relevante do que o número declarado. Um compartimento com paredes retas, abertura ampla e menos obstáculos tende a ser mais funcional, mesmo com menor volume na ficha técnica. Por outro lado, um porta-malas maior em litros, mas com muitos recortes e áreas irregulares, pode ser menos eficiente.
Como evitar erros na comparação
Para evitar erros na comparação, o consumidor deve primeiro identificar qual método foi utilizado na medição e priorizar números no padrão VDA/ISO. É importante comparar apenas dados obtidos pelo mesmo critério. Sarmento recomenda abrir o porta-malas, observar o formato, verificar intrusões e, se possível, testar com objetos reais. Outro cuidado é entender se o volume divulgado considera o espaço até o tampão ou até o teto. Com essas informações, o consumidor pode fazer uma escolha mais consciente e evitar surpresas no dia a dia.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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