Uma rival refinada para a Kombi
Nos anos 1990 e 2000, enquanto a Volkswagen Kombi mantinha sua produção como o carro mais antigo do Brasil, uma concorrente coreana surgia com proposta distinta.
A Kia Besta se apresentava como uma opção mais sofisticada e, consequentemente, mais cara. Essa van rapidamente conquistou espaço, especialmente em frentes de escolas, onde se tornou uma presença constante.
Além disso, ela se firmou no chamado transporte informal, ganhando a simpatia de muitos usuários.
O preço que surpreendia
O refinamento da Besta tinha um custo significativo. Na época de seu lançamento, ela chegou a custar 90% a mais que a tradicional Kombi.
Para se ter uma ideia, a versão furgão partia de US$ 17 mil, um valor considerável para a época. Já os pacotes mais equipados podiam alcançar a marca de US$ 25 mil.
Esse diferencial de preço refletia as características técnicas e de conforto oferecidas pelo modelo.
A origem curiosa do nome
O nome “Besta” carrega uma história interessante. Ele tem origem na expressão em inglês “Best A”, que significa “melhor”, com a letra “A” se referindo à nota máxima.
No entanto, a fabricante coreana tinha uma preocupação real com a possível assimilação bíblica que alguns clientes poderiam fazer. Isso porque o termo “besta” é utilizado no Livro do Apocalipse.
Curiosamente, a primeira unidade da Besta foi encomendada por um colégio de freiras, mostrando que o nome não impediu sua adoção em contextos diversos.
Características técnicas marcantes
Motor central e configuração peculiar
Sob o capô, ou melhor, sob o banco, a Besta trazia uma solução de engenharia peculiar. Em seus primeiros anos, ela era equipada com um propulsor a diesel de 2.184 cm³ com montagem central.
Esse motor era instalado abaixo do banco do passageiro, uma configuração que influenciava a dirigibilidade e o espaço interno.
Evolução do motor
Posteriormente, o motor 2.2 a diesel de 72 cv e 15,4 kgfm foi atualizado para uma versão 2.7 de 80 cv, buscando melhorar o desempenho.
Desempenho e versatilidade testados
Teste da Autoesporte
A revista Autoesporte testou o modelo de 1993 na época de seu lançamento, fornecendo dados concretos sobre seu comportamento.
A van coreana precisou de 31,9 segundos para atingir 100 km/h, um desempenho modesto, mas adequado para seu uso utilitário.
Capacidade de transformação
Por outro lado, sua versatilidade era um ponto forte. Era possível desparafusar os assentos e transformar a van de passageiros em furgão.
Além disso, todos os assentos podiam ser rebatidos para criar uma grande cama, ampliando suas possibilidades de uso.
O legado e a despedida
A última geração da Besta se despediu do mercado brasileiro em 2005, encerrando uma trajetória de mais de uma década.
No entanto, sua proposta não foi esquecida. A fabricante confirmou que a essência da Besta será resgatada no PV5, um novo utilitário elétrico que deve ser lançado no país ainda neste ano.
Essa movimentação sugere um renascimento do conceito, agora adaptado às tecnologias e demandas contemporâneas.

