O crescimento acelerado dos veículos elétricos no Brasil tem impulsionado a expansão da infraestrutura de recarga, mas também traz à tona desafios operacionais como a organização dos espaços, o gerenciamento dos cabos e a operação de locais com alta demanda simultânea. Esses desafios incluem a organização dos espaços, o gerenciamento dos cabos e a operação de locais com alta demanda simultânea.
Crescimento do mercado e da infraestrutura
O Brasil encerrou 2025 com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, resultado 26% superior ao registrado no ano anterior, conforme a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em abril de 2026, foram registrados 38.516 emplacamentos de veículos leves eletrificados, volume equivalente a 16% do mercado brasileiro de veículos leves naquele mês.
Esse avanço das vendas tem refletido diretamente na infraestrutura. Em maio de 2026, o Brasil contava com 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, crescimento de 20,7% em apenas três meses, segundo levantamento da ABVE e da Tupi Mobilidade. Entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o número de carregadores rápidos em corrente contínua (DC) passou de 2.430 para 6.479, alta aproximada de 167%.
Esse ritmo de expansão, no entanto, traz consigo desafios operacionais que precisam ser considerados no planejamento.
Desafios na operação dos pontos de recarga
Em locais como garagens residenciais, onde se carrega um veículo por vez, a organização dos cabos é simples. Já em estacionamentos públicos, centros logísticos, garagens de ônibus e frotas corporativas, vários veículos podem precisar de recarga simultânea. Cabos deixados sobre o piso ficam expostos ao tráfego de veículos, sujeira, água, impactos e desgaste mecânico, além de poderem interferir na circulação de pessoas e automóveis.
Nos sistemas de recarga rápida, o desafio se torna ainda maior, já que a maior potência exige cabos mais espessos e pesados. Rafael Goes, gerente de Produto da linha de esteiras porta-cabos da igus, empresa especializada em sistemas de movimentação de cabos, afirma que a expansão da eletromobilidade amplia um desafio já conhecido pela indústria.
“A indústria já convive há muitos anos com o desafio de movimentar e proteger cabos. Com a eletromobilidade, esse mesmo problema aparece em uma nova escala. Quanto mais pontos de recarga tivermos, mais importante será pensar também no que acontece com esses cabos durante e depois do carregamento”, afirmou.
Planejamento e soluções para o futuro
Conforme a igus, a tendência é que o gerenciamento físico dos cabos passe a fazer parte do planejamento da infraestrutura de recarga, principalmente em operações com grande volume de veículos. Em condomínios residenciais e edifícios comerciais, o desafio está em ampliar o número de pontos de recarga sem comprometer vagas de estacionamento e áreas de circulação. Em estacionamentos públicos e hubs de recarga, a preocupação envolve a proteção dos equipamentos submetidos ao uso contínuo por diferentes usuários.
Nos centros logísticos e nas garagens de ônibus ou caminhões, onde é possível carregar dezenas de veículos ao mesmo tempo, soluções que mantenham os cabos fora das áreas de circulação podem contribuir para a organização da operação. Entre as alternativas que começam a ser adotadas está o gerenciamento suspenso dos cabos, em que as conexões permanecem acima dos veículos e são disponibilizadas apenas durante o carregamento.
A igus informa que vem adaptando tecnologias já utilizadas em aplicações industriais para o desenvolvimento de sistemas destinados à infraestrutura de recarga em corrente alternada (AC) e corrente contínua (DC). Entre as soluções da igus estão sistemas de retração e gerenciamento suspenso dos cabos, além de configurações voltadas a automóveis, ônibus, caminhões e veículos comerciais. Segundo a igus, é possível instalar os equipamentos em diferentes configurações — verticais, horizontais, suspensas ou subterrâneas — de acordo com as características de cada operação.
Rafael Goes afirma que a expansão da eletromobilidade exige que se planeje a infraestrutura pensando na utilização cotidiana dos equipamentos e na durabilidade dos componentes. Assim, o setor caminha para soluções que conciliem a crescente demanda por recarga com a segurança e a eficiência operacional.
Fonte
- www.portaldotransito.com.br
- ABVE (abve.org.br)

