O imposto de importação para carros elétricos e híbridos foi elevado a 35%, conforme decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Camex (Gecex) no dia 23 de junho. A medida, que vale até o final deste ano ou até o consumo da cota, tem como objetivo forçar a nacionalização da tecnologia e atrair investimentos para a produção local de motores e baterias. Mas, afinal, os preços vão aumentar?
Estoques podem segurar alta imediata
De acordo com fontes do setor, o aumento do imposto não necessariamente deixará modelos híbridos e elétricos mais caros no Brasil, pelo menos de maneira imediata. Muitas importadoras se programaram para trazer grandes lotes de veículos até o fim de junho, pagando a tributação antiga para fazer o desembaraço dos produtos. Ainda há milhares de elétricos e híbridos importados nos estoques das lojas sendo vendidos sob a regra antiga.
Um exemplo concreto é a BYD, que chegou a trazer mais de 7 mil veículos de uma só vez no ano passado e em um único navio para garantir fôlego comercial antes da virada de chave e do início de sua produção nacional. Essa estratégia permitiu que a empresa acumulasse estoque suficiente para manter os preços competitivos por um período.
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Mercado em crescimento expressivo
O mercado de carros elétricos e híbridos garantiu 44.981 emplacamentos em maio de 2026. O número de vendas representa um crescimento de 16,8% sobre o mês anterior, quando 35.516 unidades foram registradas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento é de 170,3%. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Esse crescimento acelerado mostra a demanda aquecida, o que pode dar às montadoras margem para repassar parte do aumento de custos sem perder vendas. No entanto, a concorrência acirrada pode limitar esse repasse.
Montadoras podem absorver impacto
Fabricantes com forte volume de vendas e margens mais folgadas, como a BYD, a Geely e a Leapmotor, podem amortecer o impacto durante algum tempo para não perder competitividade e seguir ganhando espaço no mercado. A decisão de incorporar o reajuste, integral ou não, ao preço do veículo vai do plano de cada marca.
Para o consumidor, isso significa que nem todos os modelos sofrerão aumento imediato. Marcas que priorizam market share podem optar por reduzir margens para manter os preços atrativos.
Objetivo do governo: nacionalizar produção
Um dos principais objetivos do Governo Federal com a barreira tarifária é forçar a nacionalização da tecnologia, atraindo investimentos bilionários para a produção local de motores e baterias. Marcas como BYD e GWM estão menos vulneráveis a longo prazo, por já estarem operando suas linhas de montagem em Camaçari (BA) e Iracemápolis (SP), respectivamente.
A GWM já apresentou um novo projeto de um complexo fabril na cidade de Aracruz (ES), onde vai produzir até 200 mil veículos por ano. Esses investimentos indicam que a estratégia do governo pode estar surtindo efeito, com as montadoras buscando se antecipar às barreiras tarifárias.
Regras para kits CKD e SKD
Para os kits CKD ou SKD, a alíquota será de 14% de Imposto de Importação até 31 de dezembro, passando ao teto de 35% a partir de janeiro de 2027. Essa transição gradual visa dar tempo para as empresas se adaptarem e iniciarem a produção local.
A Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) defendia o cumprimento do cronograma gradual, alertando que uma aceleração na alta poderia frear o ritmo de descarbonização da frota nacional e penalizar o consumidor. No entanto, o governo optou por acelerar o aumento, o que gerou críticas do setor.
Perspectivas para o consumidor
No curto prazo, os preços devem se manter estáveis graças aos estoques e ao planejamento das importadoras. Porém, à medida que os estoques forem vendidos e a nova tributação incidir sobre os próximos lotes, é provável que haja um reajuste. A intensidade desse aumento dependerá da estratégia de cada montadora e da concorrência no mercado.
Para quem planeja adquirir um veículo elétrico ou híbrido, o momento atual pode ser favorável, já que ainda há unidades com a tributação antiga. Contudo, é importante ficar atento às promoções e ao estoque disponível nas concessionárias.
Fonte
- autoesporte.globo.com
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