O sistema de pedágio eletrônico free flow prometia eliminar praças de pedágio, filas e frenagens bruscas, tornando as viagens mais rápidas. Na prática, a implantação no Brasil gerou milhões de multas por falta de pagamento. Diante do caos, o governo suspendeu as penalidades por 200 dias para regularização.
Como funciona o free flow
No modelo free flow, o motorista não para em cabines nem encontra cancelas. A cobrança é feita por pórticos sobre a rodovia, equipados com câmeras e sensores que identificam a placa do veículo ou dispositivos como TAGs. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o sistema reduz filas em feriados e horários de pico, além de diminuir colisões próximas a praças de pedágio.
Problemas na implantação
Especialistas apontam que o principal problema não foi a tecnologia, mas a forma de implantação. Em países onde o free flow funciona bem, há uma plataforma nacional integrada para consultar passagens e pagar tarifas. No Brasil, dezenas de concessionárias administram rodovias, cada uma com canais, aplicativos e regras próprias. O volume de penalidades indica falhas de comunicação, ausência de padronização e falta de clareza para o cidadão.
Multas e golpes
Muitos motoristas relataram surpresa ao receber multas semanas após a viagem. Outro efeito foi o surgimento de sites falsos e tentativas de golpe envolvendo supostas cobranças de pedágio eletrônico. Com múltiplos canais e desconhecimento generalizado, criminosos passaram a explorar a confusão para roubar senhas, dados pessoais e pagamentos indevidos.
Suspensão e regularização
Com a suspensão, multas por não pagamento do free flow ficam temporariamente interrompidas. Durante 200 dias, o motorista poderá regularizar tarifas vencidas sem sofrer penalidade de trânsito. O governo promete centralizar informações em ambiente digital oficial, vinculado ao aplicativo da CNH, para facilitar consultas e pagamentos. Após o período de adaptação, a penalidade volta a valer para quem deixar de pagar no prazo.
O que está em jogo
Atualmente, a infração por não pagamento do pedágio eletrônico prevê multa e pontos na CNH. Outro ponto em discussão é o uso de recursos arrecadados com multas de trânsito para equilibrar concessões rodoviárias, tema previsto em alterações legislativas recentes. A expectativa é que a pausa de 200 dias sirva para ajustar o sistema e evitar que os erros se repitam.

