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Ford e Geely revelam SUV elétrico com DNA chinês

Ford e Geely revelam SUV elétrico com DNA chinês

Crédito: autoesporte.globo.com

Em um cenário global de transformação para a mobilidade elétrica, a Ford e a chinesa Geely selaram uma joint-venture estratégica em Valência, na Espanha, para a produção conjunta de veículos eletrificados. Além disso, o acordo prevê o desenvolvimento de um inédito SUV elétrico com participação técnica de ambas as marcas, combinando a tradição da Ford com o DNA inovador da Geely. Assim sendo, a parceria, anunciada recentemente, inclui a aquisição de 34% da fábrica pela Geely e promete revitalizar a planta espanhola.

Uma fábrica, duas marcas

Pelo acordo, a Geely adquiriu uma fatia minoritária da unidade industrial que antes pertencia integralmente à Ford. Ademais, a produção do Ford Kuga, modelo já consolidado, continuará ininterrupta. Simultaneamente, a Geely instalará uma nova linha de montagem dedicada aos seus projetos elétricos. Portanto, a Ford assegurou que a produção do Kuga seguirá ininterrupta, garantindo a continuidade dos negócios atuais. Enquanto isso, a Geely terá uma área exclusiva para seus veículos, evitando interferências nas linhas já existentes. Além disso, toda a operação será tocada por mão de obra europeia, sem a transferência de funcionários chineses, e o contingente será compartilhado entre as duas montadoras. Ou seja, a força de trabalho será recrutada localmente, sem a importação de mão de obra chinesa, e os funcionários serão alocados de acordo com as demandas de cada marca. A fonte não revelou o valor da transação nem a capacidade produtiva adicional que será instalada.

Vídeo: YouTube | Fonte: autoesporte.globo.com

Interesses convergentes

A união resolve problemas crônicos de ambos os lados. Por exemplo, a fábrica de Valência vinha operando com ociosidade, longe de sua plena capacidade, o que gerava prejuízos para a Ford. Consequentemente, a chegada da Geely permite ocupar esse espaço ocioso e diluir custos fixos. Por outro lado, para a chinesa, a parceria é uma resposta ao endurecimento das leis europeias para importação de veículos, que dificulta a venda de carros fabricados na China. Ademais, a ociosidade crônica da planta espanhola, que há anos não atingia sua capacidade máxima, pressionava os resultados financeiros da Ford. Assim sendo, com a entrada da Geely, a fábrica ganha novo fôlego e a Ford pode diluir seus custos fixos. Sobretudo, para a Geely, a operação local se tornou imperativa diante do aperto regulatório da União Europeia, que vem impondo barreiras mais rígidas à importação de veículos chineses. Dessa forma, a parceria atende a interesses estratégicos de ambas as companhias.

Cronograma elétrico até 2030

O primeiro fruto da joint-venture será o Geely EX5, cuja montagem está programada para começar até 2028. Em seguida, as empresas miram meados de 2030 para lançar um SUV elétrico inédito, fruto de um desenvolvimento compartilhado. Portanto, as marcas pretendem colaborar na criação de uma base técnica comum, que servirá de alicerce para esse futuro utilitário esportivo. Isto é, o EX5, primeiro modelo da Geely na planta, chegará até 2028, marcando a estreia da marca chinesa em solo europeu com produção local. Além disso, mais adiante, em meados de 2030, está previsto um SUV elétrico inédito, resultado do esforço conjunto de engenharia. Portanto, para viabilizá-lo, as equipes trabalharão em uma base técnica compartilhada, que poderá ser adaptada a diferentes carrocerias e estilos. Embora os detalhes ainda sejam escassos, a iniciativa reforça o compromisso com a inovação colaborativa.

Histórico de colaboração entre as partes

Ford e Geely não são estranhas uma à outra. Por exemplo, em 2010, a montadora americana vendeu a sueca Volvo para o grupo chinês, em uma transação que já indicava a abertura para negócios conjuntos. No entanto, desta vez, o formato é de joint-venture, com participação acionária e compartilhamento de infraestrutura. Isto é, a história entre Ford e Geely começou em 2010, quando a americana vendeu a Volvo para o grupo chinês. Portanto, agora, quinze anos depois, a relação evolui para uma joint-venture produtiva, em um formato que permite compartilhar riscos e recompensas. A fonte não detalhou se a experiência anterior influenciou as atuais negociações, contudo, a trajetória serve como pano de fundo para a confiança mútua.

Parceria Ford-Renault em 2025

Além disso, a Ford também estreitou laços com a Renault. Em dezembro de 2025, as duas empresas anunciaram uma colaboração inédita na Europa com o objetivo de reduzir custos e enfrentar a concorrência chinesa. Por exemplo, a Renault fornecerá sua plataforma de veículos elétricos para a Ford, que, em contrapartida, liderará o desenvolvimento de novas vans comerciais. Consequentemente, a plataforma Ampr EV da Renault dará origem ao novo Ford Fiesta, que será fabricado na França, e à próxima geração do SUV compacto Ford Puma Gen-E. Por outro lado, as futuras gerações das vans Master e Transit derivarão da nova base técnica da Ford. Essa colaboração é independente da joint-venture com a Geely, contudo, demonstra a postura da Ford em buscar parceiros para enfrentar os desafios do setor.

Geely também avança no Brasil

Além disso, enquanto firma sua posição na Europa, a Geely expande sua presença na América do Sul. Por exemplo, no Brasil, a empresa adquiriu 26% da Renault, constituindo a Renault Geely do Brasil. Portanto, para produzir seus primeiros elétricos no país, a Geely utilizará a fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, evitando a necessidade de construir uma nova unidade do zero. Dessa forma, essa estratégia replica o modelo adotado em Valência: aproveitar a capacidade instalada de um parceiro local para acelerar a entrada no mercado e reduzir investimentos. Ou seja, essa abordagem evita os elevados custos de construção de uma nova fábrica e acelera o time-to-market, repetindo a lógica de Valência. A fonte não informou prazos para o início das atividades produtivas no Brasil.

Em resumo, com esses movimentos, Ford e Geely demonstram que a cooperação entre montadoras tradicionais e novos players é um caminho viável para navegar a transição energética, equilibrando herança industrial e inovação. Além disso, o movimento conjunto sinaliza uma tendência de colaboração na indústria automotiva, onde divisões tradicionais entre Oriente e Ocidente se diluem em prol da eficiência. Contudo, as empresas não comentaram sobre projeções de volume ou investimentos totais.

Fonte

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