Um estudo inédito realizado com motociclistas vítimas de sinistros em São Paulo aponta que a presença de fiscalização eletrônica está associada a acidentes menos graves. A pesquisa, conduzida entre agosto de 2025 e março de 2026, ouviu 93 vítimas internadas no Hospital das Clínicas, unidade de referência que recebe pacientes encaminhados por serviços de resgate como o SAMU. Os dados revelam que 95% dos locais analisados não possuíam radares, e que a ausência de equipamentos pode contribuir para o aumento de mortos e feridos.
Falta de radares e sinalização precária
De acordo com o levantamento, quase 70% dos motociclistas relataram que não havia sinalização de limite de velocidade nas vias onde ocorreram os acidentes. A pesquisa apontou problemas relacionados à sinalização, infraestrutura urbana e comportamento de risco. Além disso, 28% dos acidentes foram registrados em cruzamentos, mas apenas 26% deles ocorreram em locais com semáforo.
Os dados indicam que a fiscalização eletrônica pode ser um fator relevante para reduzir a gravidade dos sinistros. Locais com presença de radares estavam associados a perfis de sinistros relativamente menos graves, segundo o estudo. Por outro lado, o relaxamento da fiscalização eletrônica pode contribuir para o aumento de mortos e feridos.
Perfil dos acidentes e vítimas
O estudo também detalhou as circunstâncias dos acidentes. 35% dos sinistros envolveram a dinâmica de corredor, ou seja, o espaço entre veículos utilizado por motociclistas. Outro dado relevante é que 21% das vítimas não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida. Os acidentes ocorreram com maior frequência às quintas-feiras, entre 5h e 8h da manhã.
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com as próprias vítimas, internadas no Hospital das Clínicas, e contou com apoio de profissionais de saúde da unidade. O hospital é uma unidade estritamente referenciada, o que significa que recebe apenas pacientes encaminhados por serviços de emergência, como o SAMU. Essa característica garantiu que a amostra fosse representativa dos casos mais graves.
Mudanças no Código de Trânsito
O levantamento cita mudanças recentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como a ampliação do limite para suspensão da CNH para até 40 pontos. Para os pesquisadores, essa flexibilização pode estar relacionada ao aumento da gravidade dos sinistros, especialmente em um cenário de baixa fiscalização eletrônica.
Esta foi a primeira pesquisa sobre o tema a conseguir mapear com elevado nível de detalhamento as circunstâncias de cada sinistro envolvendo motociclistas atendidos pela unidade hospitalar. O projeto reuniu uma investigação multidisciplinar baseada em fontes primárias e entrevistas realizadas entre agosto de 2025 e março de 2026. Foram feitas 93 entrevistas com vítimas de sinistros envolvendo motocicletas.
Os resultados reforçam a importância da fiscalização eletrônica como ferramenta para reduzir a gravidade dos acidentes com motos. A ausência de radares e a sinalização deficiente são fatores que contribuem para sinistros mais graves, segundo o estudo. A pesquisa sugere que a manutenção e ampliação dos equipamentos de fiscalização podem salvar vidas.
